quarta-feira, 30 de maio de 2018

Poesia: A armadilha eclesiástica



Esse poema foi construído a partir de relatos de pessoas sem vínculo eclesiástico. Qualquer caso de semelhança é mera coincidência.
Professor Jair de Oliveira Filho



Uma voz, um aviso, a convicção:
Cuidado!!! A paixão se aproxima!
Vem devagar e cheia de lisonjas.
Mantém-se cada vez mais frequente;
Ela vem como brilho do sol, cheia de sorrisos.
Saúda-te com um lindo bom dia...
Adentra na tua vida, no teu ministério,
Puxa a cadeira, o mais próximo possível.
Com jeito de menina pudica
Chama-te de tio e se diz ser como filha.
Está em toda parte de sua vida
E já é como um membro da família.
As roupas de menina casta
Já não tem a mensagem enunciada:
A fala baixa, educada, sussurrante
E no olhar a mensagem velada.
Sempre tão simples e inocente,
Cruza as pernas se fingindo distraída.
Ligeiramente se vê o corpo perfeito;
Mas para que se preocupar?
É só uma menina a se descontrair  um pouco.
A função de secretária conquista e se fixa,
Afinal é uma cristã e uma ótima profissional.
O conhecimento, a autossuficiência, a queda.
A autossuficiência cega te conduzes ao erro fatal.
Grandes sermões; és um doutor em teologia.
Tens uma linda esposa e uma bela família.
O sol nasce, mas também tens a noite!
Assim nasce a dúvida! Sempre do Nada. E Pronto!
Agora se aproxima o erro do ponto.
A mente confusa não consegues discernir, estás zonzo
E cada vez mais te aproximas sem ser descoberto,
Até o ponto dos inocentes rostos acordarem juntos...
Convencer-te de que é uma mentira, não te salvarás.
Não! É apenas jovem, uma menina ainda inocente!
Com essa resposta te autorizas inconscientemente.
Respirando o ar um do outro permanece, estás preso!
É um inseto preso na teia de uma aranha, indefeso.
Sente tuas forças serem sugadas e te enfraqueces,
O perfume entra em teu cérebro e logo te esqueces.
Por alguns minutos, um paraíso de eterno carinho,
Uma teia se inicia e é fortalecida ardilosamente.
Como um cego sacerdote poderá acertar o caminho?
Vem se aproximando o dia do gado ir para o abatedouro.
Tudo está preparado por alguém, incrivelmente, mais prudente;
Assim, o altar foi preparado e perfumado com o maior esmero,
O sacrifício pacífico, a mesa posta, “Cantares” nada rotineiros.
Adentra ao altar, sem perceber, que ele é o sacrifício,
Vê a porta ser fechada e o lugar fica propício...
Não foi por acaso... Trabalhou com esmero a inocente sedutora!
A rotina do pecado traz à morte toda a família.
Com o ambiente o mais normal possível,
Quando a esposa liga, ela atende. Agora são amigas.
O pobre não imagina que todo o seu corpo
Está sobe controle da astuta jovem pudica.
Dias se passaram depois daquele saboroso dia...
Mas, ele ainda ama verdadeiramente a sua mulher!!!
Entretanto, aquela agora colega de trabalho, tem suas armas!
Uma anatomia voluptuosamente invejável; é a Mulher!
Um rosto esculpido por Deus, para ser a mais linda criatura,
Mas esta resolveu ser a arma do prazer e a terrível predadora.
Agora, lentamente, o golpe fatal está chegando...
Ele acredita na sua fé, mas também na sua própria força,
Que sobrevive do enorme amor que sente pela sua família.
A sua fé em Deus bem fundamentada, mas há negligência.
Uma formação teológica e constante oração.
Mas, como poderá o homem saber o que está no coração?
A rotina, a certeza do que passou, passou.
Ali, junto àquela mesa, despacha os seus documentos.
Não percebe que o seu coração bate diferente...
Que seu sangue está pulsando mais e mais quente...
As lembranças voltam a sua mente.
Lentamente ela se aproxima. Dessa vez armada para matar...
Com alguns papeis nas mãos, pedi-lhe orientações.
Ao aproximar-se, seu perfume deixa-o sem sentido, o que é isso!?
Pergunta-se, mas já sentindo o envolver dos cabeços macios,
Cheirosos, bonitos e longos a cair sutilmente sobre ele,
O pudico e lindo rosto vai se chegando, mais e mais perto...
Tecnicamente à orelha dele é violada, com um leve roçar...
Os lábios sensuais e ingênuos, tocando alternadamente,
À proporção que as palavras aparentes inocentes o cariciam,
Como se fosse um ato provocado pelo suave balanço do navio.
Então como uma preza dominada pela serpente, se vê sendo deglutido;
Como um pássaro inutilmente se debate no passarinheiro,
Assim tenta aquele indefeso homem, antes fiel cristão e bom marido,
Ser dominado, dessa vez mais intensamente
Ela fixa os olhos dentro dos olhos dele!
Pronto. Dominou a vítima! O cérebro já não é autônomo!
A razão foi-se e o instinto animal ganhou a batalha.
Ao acordar, espera ser um sonho, mas realmente está deitado,
Em uma cama que não é a sua.
Por ela preparada e agora assinada com fruto do prazer.
Assim, sua resitência só confirma o poder e a dor do engano.
Seus olhos não podem fitar mais os olhos de sua esposa.
Então, pergunta a si mesmo com uma triste lamentação:
Por que eu não fui de Deus mais dependente?