segunda-feira, 14 de maio de 2018

MORFOLOGIA ESTRUTURA E FORMAÇÃO DA PALAVRA


Fontes: brasilescola.uol.com.br e soportugues.com.br
Observe as seguintes palavras:
escol-a
escol-ar
escol-arização
escol-arizar
sub-escol-arização
Observando-as, percebemos que há um elemento comum a todas elas: a forma escol-. Além disso, em todas há elementos destacáveis, responsáveis por algum detalhe de significação. Compare, por exemplo, escola e escolar: partindo de escola, formou-se escolar pelo acréscimo do elemento destacável -ar.
Por meio desse trabalho de comparação entre as diversas palavras que selecionamos, podemos depreender a existência de diferentes elementos formadores. Cada um desses elementos formadores é uma unidade mínima de significação, um elemento significativo indecomponível, a que damos o nome de morfema.

Classificação dos morfemas:

Radical

Há um morfema comum a todas as palavras que estamos analisando: escol-. É esse morfema comum – o radical – que faz com que as consideremos palavras de uma mesma família de significação – os cognatos. O radical é a parte da palavra responsável por sua significação principal.

Afixos

Como vimos, o acréscimo do morfema –ar cria uma nova palavra a partir de escola. De maneira semelhante, o acréscimo dos morfemas sub- e –arização à forma escol- criou subescolarização. Esses morfemas recebem o nome de afixos.
Quando são colocados antes do radical, como acontece com sub-, os afixos recebem o nome de prefixos. Quando, como –arização, surgem depois do radical os afixos são chamados de sufixos. Prefixos e sufixos, além de operar mudança de classe gramatical, são capazes de introduzir modificações de significado no radical a que são acrescentados.

Desinências

Quando se conjuga o verbo amar, obtêm-se formas como amava, amavas, amava, amávamos, amáveis, amavam. Essas modificações ocorrem à medida que o verbo vai sendo flexionado em número (singular e plural) e pessoa (primeira, segunda ou terceira). Também ocorrem se modificarmos o tempo e o modo do verbo (amava, amara, amasse, por exemplo).
Podemos concluir, assim, que existem morfemas que indicam as flexões das palavras. Esses morfemas sempre surgem no fim das palavras variáveis e recebem o nome de desinências. Há desinências nominais e desinências verbais.
• Desinências nominais: indicam o gênero e o número dos nomes. Para a indicação de gênero, o português costuma opor as desinências -o/-a:
garoto/garota; menino/menina
Para a indicação de número, costuma-se utilizar o morfema –s, que indica o plural em oposição à ausência de morfema, que indica o singular: garoto/garotos; garota/garotas; menino/meninos; menina/meninas.
No caso dos nomes terminados em –r e –z, a desinência de plural assume a forma -es: mar/mares; revólver/revólveres; cruz/cruzes.

• Desinências verbais: em nossa língua, as desinências verbais pertencem a dois tipos distintos. Há aqueles que indicam o modo e o tempo (desinências modo-temporais) e aquelas que indicam o número e a pessoa dos verbos (desinência número-pessoais):
 

cant-á-va-mos
cant-á-sse-is
cant: radical
cant:
radical
-á-: vogal temática
-á-: vogal temática
-va-:desinência modo-temporal (caracteriza o pretérito imperfeito do indicativo)
-sse-:desinência modo-temporal (caracteriza o pretérito imperfeito do subjuntivo)
-mos:desinência número-pessoal (caracteriza a primeira pessoa do plural)
-is: desinência número-pessoal (caracteriza a segunda pessoa do plural)

Vogal temática

Observe que, entre o radical cant- e as desinências verbais, surge sempre o morfema –a.
Esse morfema, que liga o radical às desinências, é chamado de vogal temática. Sua função é ligar-se ao radical, constituindo o chamado tema. É ao tema (radical + vogal temática) que se acrescentam as desinências. Tanto os verbos como os nomes apresentam vogais temáticas.

• Vogais temáticas nominais: São -a, -e, e -o, quando átonas finais, como em mesa, artista, busca, perda, escola, triste, base, combate. Nesses casos, não poderíamos pensar que essas terminações são desinências indicadoras de gênero, pois a mesa, escola, por exemplo, não sofrem esse tipo de flexão. É a essas vogais temáticas que se liga a desinência indicadora de plural: mesa-s, escola-s, perda-s. Os nomes terminados em vogais tônicas (sofá, café, cipó, caqui, por exemplo) não apresentam vogal temática.

• Vogais temáticas verbais: São -a, -e e -i, que caracterizam três grupos de verbos a que se dá o nome de conjugações. Assim, os verbos cuja vogal temática é -a pertencem à primeira conjugação; aqueles cuja vogal temática é -e pertencem à segunda conjugação e os que têm vogal temática -i pertencem à terceira conjugação.
 

primeira conjugação
segunda conjugação
terceira conjugação
govern-a-va
estabelec-e-sse
defin-i-ra
atac-a-va
cr-e-ra
imped-i-sse
realiz-a-sse
mex-e-rá
ag-i-mos

Vogal ou consoante de ligação 

As vogais ou consoantes de ligação são morfemas que surgem por motivos eufônicos, ou seja, para facilitar ou mesmo possibilitar a leitura de uma determinada palavra.
Temos um exemplo de vogal de ligação na palavra escolaridade:
-i- entre os sufixos -ar- e -dade facilita a emissão vocal da palavra. Outros exemplos: gasômetro, alvinegro, tecnocracia, paulada, cafeteira, chaleira, tricota.

Estrutura das palavras

Estudar a estrutura é conhecer os elementos formadores das palavras. Assim, compreendemos melhor o significado de cada uma delas. Observe os exemplos abaixo:
art-ista 
brinc-a-mos
cha-l-eira
cachorr-inh-a-s

A análise destes exemplos mostra-nos que as palavras podem ser divididas em unidades menores, a que damos o nome de elementos mórficos ou morfemas.
Vamos analisar a palavra "cachorrinhas":
Nessa palavra observamos facilmente a existência de quatro elementos. São eles:
cachorr - este é o elemento base da palavra, ou seja, aquele que contém o significado.
inh - indica que a palavra é um diminutivo
a - indica que a palavra é feminina
s - indica que a palavra se encontra no plural
Morfemas são unidades mínimas de caráter significativo.
Obs.: existem palavras que não comportam divisão em unidades menores, tais como: mar, sol, lua, etc.
São elementos mórficos:
1) Raiz, radical, tema: elementos básicos e significativos
2) Afixos (prefixos, sufixos), desinência, vogal temática: elementos modificadores da significação dos primeiros
3) Vogal de ligação, consoante de ligação: elementos de ligação ou eufônicos.

Raiz

Raiz é o elemento originário e irredutível em que se concentra a significação das palavras, consideradas do ângulo histórico. É a raiz que encerra o sentido geral, comum às palavras da mesma família etimológica.
Observe o exemplo:
Raiz noc [Latim nocere = prejudicar] tem a significação geral de causar dano, e a ela se prendem, pela origem comum, as palavras nocivo, nocividade, inocente, inocentar, inócuo, etc.
Obs.: uma raiz pode sofrer alterações. Veja o exemplo:
at-o
at-or
at-ivo
aç-ão
ac-ionar

Radical

Observe o seguinte grupo de palavras:
livr- o
livr- inho
livr- eiro
livr- eco
Você reparou que há um elemento comum nesse grupo?
Você reparou que o elemento livr serve de base para o significado? Esse elemento é chamado de radical (ou semantema).
Radical é o elemento básico e significativo das palavras, consideradas sob o aspecto gramatical e prático. É encontrado através do despojo dos elementos secundários (quando houver) da palavra.
Por exemplo:
cert-o
cert-eza
in-cert-eza

Afixos

Afixos são elementos secundários (geralmente sem vida autônoma) que se agregam a um radical ou tema para formar palavras derivadas.
Sabemos que o acréscimo do morfema "-mente", por exemplo, cria uma nova palavra a partir de "certo"certamente, advérbio de modo.
De maneira semelhante, o acréscimo dos morfemas "a-e "-ar" à forma "cert-" cria o verbo acertar. Observe que a- e -ar são morfemas capazes de operar mudança de classe gramatical na palavra a que são anexados.
Quando são colocados antes do radical, como acontece com "a-", os afixos recebem o nome de prefixos. Quando, como "-ar", surgem depois do radical, os afixos são chamados de sufixos. Veja os exemplos:
Prefixo
Radical
Sufixo
in
at
ivo
em
pobr
ecer
inter
nacion
al

Desinências

Desinências são os elementos terminais indicativos das flexões das palavras.
Existem dois tipos de desinências: nominais e verbais.

Desinências Nominais

Indicam as flexões de gênero (masculino e feminino) e de número (singular e plural) dos nomes. Exemplos:
alun-o

aluno-s
alun-a

aluna-s
Observação: só podemos falar em desinências nominais de gêneros e de números em palavras que admitem tais flexões, como nos exemplos acima. Em palavras como mesa,tribotelefonema, por exemplo, não temos desinência nominal de gênero. Já em pireslápisônibus não temos desinência nominal de número.

Desinências Verbais

Indicam as flexões de número e pessoa e de modo e tempo dos verbos. Exemplos:
compr-o
compra-s
compra-mos
compra-is
compra-m
compra-va
compra-va-s
A desinência "-o", presente em "am-o", é uma desinência número-pessoal, pois indica que o verbo está na primeira pessoa do singular; "-va", de "ama-va", é desinência modo-temporal: caracteriza uma forma verbal do pretérito imperfeito do indicativo, na 1ª conjugação.

Vogal Temática

Vogal Temática é a vogal que se junta ao radical, preparando-o para receber as desinências. Nos verbos, distinguem-se três vogais temáticas: A, E e I.

Vogal A

Caracteriza os verbos da  conjugação. Exemplos:
buscar, buscavas, etc.

Vogal E

Caracteriza os verbos da  conjugação. Exemplos:
romper, rompemos, etc.

Vogal I

Caracteriza os verbos da  conjugação. Exemplos:
proibir, proibirá, etc.

Tema

Tema é o grupo formado pelo radical mais vogal temática. Nos verbos citados acima, os temas são:
busca-, rompe-, proibi-

Vogais e Consoantes de Ligação

As vogais e consoantes de ligação são morfemas que surgem por motivos eufônicos, ou seja, para facilitar ou mesmo possibilitar a pronúncia de uma determinada palavra.
Exemplo: parisiense
paris = radical
ense = sufixo
vogal de ligação = i
Outros exemplos:
gas-ô-metro
alv-i-negro
tecn-o-cracia
pau-l-ada
cafe-t-eira
cha-l-eira
inset-i-cida
pe-z-inho
pobre-t-ão

Formação das Palavras

Existem dois processos básicos pelos quais se formam as palavras: a derivação e a composição.
A diferença entre ambos consiste basicamente em que, no processo de derivação, partimos sempre de um único radical, enquanto no processo de composição sempre haverá mais de um radical.

Derivação

Derivação é o processo pelo qual se obtém uma palavra nova, chamada derivada, a partir de outra já existente, chamada primitiva. Observe o quadro abaixo:
Primitiva
Derivada
mar
marítimo, marinheiro, marujo
terra
enterrar, terreiro, aterrar
Observamos que "mar" e "terra" não se formam de nenhuma outra palavra, mas, ao contrário, possibilitam a formação de outras, por meio do acréscimo de um sufixo ou prefixo. Logo, mar e terra são palavras primitivas, e as demais, derivadas. 

Tipos de Derivação

Derivação Prefixal ou Prefixação
Resulta do acréscimo de prefixo à palavra primitiva, que tem o seu significado alterado. Veja os exemplos:
crer- descrer
ler- reler
capaz- incapaz
Derivação Sufixal ou Sufixação
Resulta de acréscimo de sufixo à palavra primitiva, que pode sofrer alteração de significado ou mudança de classe gramatical. Por exemplo:
alfabetização
No exemplo acima, o sufixo -ção  transforma em substantivo o verbo alfabetizar. Este, por sua vez, já é derivado do substantivo alfabeto pelo acréscimo do sufixo -izar.
A derivação sufixal pode ser:
a) Nominal, formando substantivos e adjetivos. Por exemplo:
papel - papelaria
riso - risonho
b) Verbal, formando verbos. Por exemplo:
atual - atualizar
c) Adverbial, formando advérbios de modo.
Por exemplo:
feliz - felizmente
Derivação Prefixal e Sufixal
Ocorre quando a palavra derivada resulta do acréscimo não simultâneo de prefixo e sufixo à palavra primitiva.
Exemplos:
Palavra Inicial
Prefixo
Radical
Sufixo
Palavra Formada
leal
des
leal
dade
deslealdade
feliz
in
feliz
mente
infelizmente
Note que a presença de apenas um desses afixos é suficiente para formar uma nova palavra, pois em nossa língua existem as palavras "desleal", "lealdade" e "infeliz", "felizmente".
Derivação Parassintética ou Parassíntese
Ocorre quando a palavra derivada resulta do acréscimo simultâneo de prefixo e sufixoà palavra primitiva.
Considere, por exemplo, o adjetivo "triste". Do radical "trist-" formamos o verbo entristecer pela junção simultânea do prefixo  "en-" e do sufixo "-ecer". Note que a presença de apenas um desses afixos não é suficiente para formar uma nova palavra, pois em nossa língua não existem as palavras "entriste", nem "tristecer". Exemplos:
Palavra Inicial
Prefixo
Radical
Sufixo
Palavra Formada
mudo
e
mud
ecer
emudecer
alma
des
alm
ado
desalmado
Dica: para estabelecer a diferença entre derivação prefixal e sufixal e parassintética, basta retirar o prefixo ou sufixo da palavra na qual se tem dúvida. Feito isso, observe se a palavra que sobrou existe; caso isso aconteça, será derivação prefixal e sufixal. Caso contrário, será derivação parassintética.

Tipos de Derivação (continuação)

Derivação Regressiva
Ocorre derivação regressiva quando uma palavra é formada não por acréscimo, mas por redução. Exemplos:
comprar (verbo)
compra (substantivo)
beijar (verbo)
beijo (substantivo)
Saiba que:
Para descobrirmos se um substantivo deriva de um verbo ou se ocorre o contrário, podemos seguir a seguinte orientação:
- Se o substantivo denota ação, será palavra derivada, e o verbo palavra primitiva.
- Se o nome denota algum objeto ou substância, verifica-se o contrário.
Vamos observar os exemplos acima: compra e beijo   indicam ações, logo, são palavras derivadas. O mesmo não ocorre, porém, com a palavra âncora, que é um objeto. Neste caso, um substantivo primitivo que dá origem ao verbo ancorar.
Por derivação regressiva, formam-se basicamente substantivos a partir de verbos. Por isso, recebem o nome de substantivos deverbais. Note que na linguagem popular, são frequentes os exemplos de palavras formadas por derivação regressiva. Veja:
portuga (de português)
boteco (de botequim)
comuna (de comunista)
Ou ainda:
agito (de agitar)
amasso (de amassar)
chego (de chegar)
Obs.: o processo normal é criar um verbo a partir de um substantivo. Na derivação regressiva, a língua procede em sentido inverso: forma o substantivo a partir do verbo.
Derivação Imprópria
A derivação imprópria ocorre quando determinada palavra, sem sofrer qualquer acréscimo ou supressão em sua forma, muda de classe gramatical. Neste processo:
1) Os adjetivos passam a substantivos. Por exemplo:
Os bons serão contemplados.
2) Os particípios passam a substantivos ou adjetivos. Por exemplo:
Aquele garoto alcançou um feito passando no concurso.
3) Os infinitivos passam a substantivos. Por exemplo:
andar de Roberta era fascinante.
badalar dos sinos soou na cidadezinha.
4) Os substantivos passam a adjetivos. Por exemplo:
O funcionário fantasma foi despedido.
O menino prodígio resolveu o problema.
5) Os adjetivos passam a advérbios. Por exemplo:
Falei baixo para que ninguém escutasse.
6) Palavras invariáveis passam a substantivos. Por exemplo:
Não entendo o porquê disso tudo.
7) Substantivos próprios tornam-se comuns. Por exemplo:
Aquele coordenador é um caxias! (chefe severo e exigente)
Observação: os processos de derivação vistos anteriormente fazem parte da Morfologia porque implicam alterações na forma das palavras. No entanto, a derivação imprópria lida basicamente com seu significado, o que acaba caracterizando um processo semântico. Por essa razão, entendemos o motivo pelo qual é denominada "imprópria".

Composição

Composição é o processo que forma palavras compostas, a partir da junção de dois ou mais radicais. Existem dois tipos, apresentados a seguir.

Composição por Justaposição

Ao juntarmos duas ou mais palavras ou radicais, não ocorre alteração fonética. Exemplos:
passatempo, quinta-feira, girassol, couve-flor
Obs.: em "girassol" houve uma alteração na grafia (acréscimo de um "s") justamente para manter inalterada a sonoridade da palavra.

Composição por Aglutinação

Ao unirmos dois ou mais vocábulos ou radicais, ocorre supressão de um ou mais de seus elementos fonéticos. Exemplos:
embora (em boa hora)
fidalgo (filho de algo - referindo-se à família nobre)
hidrelétrico (hidro + elétrico)
planalto (plano alto)
Obs.: ao aglutinarem-se, os componentes subordinam-se a um só acento tônico, o do último componente.

Redução

Algumas palavras apresentam, ao lado de sua forma plena, uma forma reduzida. Observe:
auto - por automóvel
cine - por cinema
micro - por microcomputador
 - por José
Como exemplo de redução ou simplificação de palavras, podem ser citadas também as siglas, muito frequentes na comunicação atual. (Se desejar, veja mais sobre siglas na seção  "Extras" -> Abreviaturas e Siglas)

Hibridismo

Ocorre hibridismo na palavra em cuja formação entram elementos de línguas diferentes. Por exemplo:
auto (grego) + móvel (latim)

Onomatopeia

Numerosas palavras devem sua origem a uma tendência constante da fala humana para imitar as vozes e os ruídos da natureza. As onomatopeias são vocábulos que reproduzem aproximadamente os sons e as vozes dos seres. Exemplos:
miau, zum-zum, piar, tinir, urrar, chocalhar, cocoricar, etc.

Prefixos

Os prefixos são morfemas que se colocam antes dos radicais, basicamente a fim de modificar-lhes o sentido; raramente esses morfemas produzem mudança de classe gramatical.
Os prefixos ocorrentes em palavras portuguesas se originam do latim e do grego, línguas em que funcionavam como preposições ou advérbios, logo, como vocábulos autônomos. 
Alguns prefixos foram pouco ou nada produtivos em português. Outros, por sua vez, tiveram grande utilidade na formação de novas palavras. Veja os exemplos:
a- , contra- , des- , em-  (ou en-) , es- , entre- re- , sub- , super- , anti-

Prefixos de Origem Grega

a-, an-: Afastamento, privação, negação, insuficiência, carência. Exemplos: anônimo, amoral, ateu, afônico
ana-: Inversão, mudança, repetição. Exemplos: analogia, análise, anagrama, anacrônico
anfi-: Em redor, em torno, de um e outro lado, duplicidade. anfiteatro, anfíbio, anfibologia
anti-: Oposição, ação contrária. antídoto, antipatia, antagonista, antítese
apo-: Afastamento, separação. apoteose, apóstolo, apocalipse, apologia
arqui-, arce-: Superioridade hierárquica, primazia, excesso. Exemplos: arquiduque, arquétipo, arcebispo, arquimilionário
cata-: Movimento de cima para baixo. cataplasma, catálogo, catarata
di-:  Duplicidade. dissílabo, ditongo, dilema
dia- : Movimento através de, afastamento. diálogo, diagonal, diafragma, diagrama
dis-: Dificuldade, privação. dispneia, disenteria, dispepsia, disfasia
ec-, ex-, exo-, ecto-: Movimento para fora. Exemplos: eclipse, êxodo, ectoderma, exorcismo
en-, em-, e-:  Posição interior, movimento para dentro. encéfalo, embrião, elipse, entusiasmo
endo-: Movimento para dentro. endovenoso, endocarpo, endosmose
epi-: Posição superior, movimento para. epiderme, epílogo, epidemia, epitáfio
eu-: Excelência, perfeição, bondade. eufemismo, euforia, eucaristia, eufonia
hemi-: Metade, meio. hemisfério, hemistíquio, hemiplégico
hiper-: Posição superior, excesso. hipertensão, hipérbole, hipertrofia
hipo-: Posição inferior, escassez. hipocrisia, hipótese, hipodérmico
meta-: Mudança, sucessão. metamorfose, metáfora, metacarpo
para-: Proximidade, semelhança, intensidade. Exemplos: paralelo, parasita, paradoxo, paradigma
peri- : Movimento ou posição em torno de. periferia, peripécia, período, periscópio
pro-: Posição em frente, anterioridade. prólogo, prognóstico, profeta, programa
pros-: Adjunção, em adição a. prosélito, prosódia
proto-: Início, começo, anterioridade. proto-história, protótipo, protomártir
poli-: Multiplicidade. polissílabo, polissíndeto, politeísmo
sin-, sim-: Simultaneidade, companhia. Exemplos: síntese, sinfonia, simpatia, sinopse
tele-: Distância, afastamento. televisão, telepatia, telégrafo

Prefixos de origem latina

a-, ab-, abs- : Afastamento, separação. Exemplos: aversão, abuso, abstinência, abstração
a-, ad-: Aproximação, movimento para junto. Exemplos: adjunto,advogado, advir, aposto
ante-: Anterioridade, procedência. Exemplos: antebraço, antessala, anteontem, antever
ambi-: Duplicidade. ambidestro, ambiente, ambiguidade, ambivalente
ben(e)-, bem- : Bem, excelência de fato ou ação. Exemplos: benefício, bendito
bis-, bi-:  Repetição, duas vezes. Exemplos: bisneto, bimestral, bisavô, biscoito
circu(m)-: Movimento em torno. circunferência, circunscrito, circulação
cis-: Posição aquém. Exemplos: cisalpino, cisplatino, cisandino
co-, con-, com-: Companhia, concomitância.  Exemplos: colégio, cooperativa, condutor
contra-: Oposição.  Exemplos: contrapeso, contrapor, contradizer
de-: Movimento de cima para baixo, separação, negação. Exemplos: decapitar, decair, depor
de(s)-, di(s)-: Negação, ação contrária, separação. Exemplos: desventura, discórdia, discussão
e-, es-, ex-: Movimento para fora. Exemplos: excêntrico, evasão, exportação, expelir
en-, em-, in-: Movimento para dentro, passagem para um estado ou forma, revestimento. imergir, enterrar, embeber, injetar, importar
extra-: Posição exterior, excesso. Exemplos: extradição, extraordinário, extraviar
i-, in-, im-: Sentido contrário, privação, negação. Exemplos: ilegal, impossível, improdutivo
inter-, entre-: Posição intermediária. Exemplos: internacional, interplanetário
intra-: Posição interior. intramuscular, intravenoso, intraverbal
intro-: Movimento para dentro. introduzir, introvertido, introspectivo
justa-: Posição ao lado. justapor, justalinear
ob-, o-: Posição em frente, oposição. Exemplos: obstruir, ofuscar, ocupar, obstáculo
per-: Movimento através. percorrer, perplexo, perfurar, perverter
pos-: Posterioridade. pospor, posterior, pós-graduado
pre-: Anterioridade . prefácio, prever, prefixo, preliminar
pro-: Movimento para frente. progresso, promover, prosseguir, projeção
re-: Repetição, reciprocidade. rever, reduzir, rebater, reatar
retro-: Movimento para trás. retrospectiva, retrocesso, retroagir, retrógrado
so-, sob-, sub-, su-: Movimento de baixo para cima, inferioridade. soterrar, sobpor, subestimar
super-, supra-, sobre-: Posição superior, excesso. Exemplos: supercílio, supérfluo
soto-, sota-  : Posição inferior. Exemplos: soto-mestre, sota-voga, soto-pôr
trans-, tras-, tres-, tra-: Movimento para além, movimento através. Exemplos: transatlântico, tresnoitar, tradição
ultra-: Posição além do limite, excesso. Exemplos: ultrapassar, ultrarromantismo, ultrassom, ultraleve, ultravioleta
vice-, vis-: Em lugar de. Exemplos: vice-presidente, visconde, vice-almirante

Correspondência entre Prefixos Gregos e Latinos

Gregos
Latinos
Significado
Exemplo
a, an
des, in
privação, negação
anarquia, desigual, inativo
anti
contra
oposição, ação contrária
antibiótico, contraditório
anfi
ambi
duplicidade, de um e outro lado, em torno
anfiteatro, ambivalente
apo
ab
afastamento, separação
apogeu, abstrair
di
bi(s)
duplicidade
dissílabo, bicampeão
dia, meta
trans
movimento através
diálogo, transmitir
e(n)(m)
i(n)(m)(r)
movimento para dentro
encéfalo, ingerir, irromper
endo
intra
movimento para dentro, posição interior
endovenoso, intramuscular
e(c)(x)
e(s)(x)
movimento para fora, mudança de estado
êxodo, excêntrico, estender
epi, super, hiper
supra
posição superior, excesso
epílogo, supervisão, hipérbole, supradito
eu
bene
excelência, perfeição, bondade
eufemismo, benéfico
hemi
semi
divisão em duas partes
hemisfério, semicírculo
hipo
sub
posição inferior
hipodérmico, submarino
para
ad
proximidade, adjunção
paralelo, adjacência
peri
circum
em torno de
periferia, circunferência
cata
de
movimento para baixo
catavento, derrubar
si(n)(m)
cum
simultaneidade, companhia
sinfonia, silogeu, cúmplice

Sufixos

Sufixos são elementos (isoladamente insignificativos) que, acrescentados a um radical, formam nova palavra. Sua principal característica é a mudança de classe gramatical que geralmente opera.
Dessa forma, podemos utilizar o significado de um verbo num contexto em que se deve usar um substantivo, por exemplo.
Como o sufixo é colocado depois do radical, a ele são incorporadas as desinências que indicam as flexões das palavras variáveis. Existem dois grupos de sufixos formadores de substantivos extremamente importantes para o funcionamento da língua. São os que formam nomes de ação e os que formam nomes de agente.

 

Sufixos que formam nomes de ação

-ada - caminhada
-ez(a) - sensatez, beleza
-ança - mudança
-ismo - civismo
-ância - abundância
-mento - casamento
-ção - emoção
-são - compreensão
-dão - solidão
-tude - amplitude
-ença - presença
-ura - formatura

 

Sufixos que formam nomes de agente

-ário(a) - secretário
-eiro(a) - ferreiro
-ista - manobrista
-or - lutador
-nte feirante
Além dos sufixos acima, tem-se:
-aria - churrascaria
-ário - herbanário
-eiro - açucareiro
-il - covil
-or - corredor
-tério - cemitério
-tório - dormitório

Sufixos que formam nomes indicadores de abundância, aglomeração, coleção
-aço - ricaço
-ada - papelada
-agem - folhagem
-al - capinzal
-ame - gentame
-ario(a) - casario, infantaria
-edo - arvoredo
-eria - correria
-io - mulherio
-ume - negrume

Sufixos que formam nomes técnicos usados na ciência

-ite
bronquite, hepatite (inflamação)
-oma
mioma, epitelioma, carcinoma (tumores)
-ato, eto, ito
sulfato, cloreto, sulfito (sais)
-ina
cafeína, codeína (alcaloides, álcalis artificiais)
-ol
fenol, naftol (derivado de hidrocarboneto)
-ite
amotite (fósseis)
-ito
granito (pedra)
-ema
morfema, fonema, semema, semantema(ciência linguística)
-io - sódio, potássio, selênio (corpos simples)

Sufixo que forma nomes de religião, doutrinas filosóficas, sistemas políticos
-ismo 
budismo
kantismo
comunismo

Sufixos Formadores de Adjetivos


a) de substantivos
-aco - maníaco
-ado - barbado
-áceo(a) - herbáceo, liláceas
-aico - prosaico
-al - anual
-ar - escolar
-ário - diário, ordinário
-ático - problemático
-az - mordaz
-engo - mulherengo
-enho - ferrenho
-eno - terreno
-udo - barrigudo
-ento - cruento
-eo - róseo
-esco - pitoresco
-este - agreste
-estre - terrestre
-ício - alimentício
-ico - geométrico
-il - febril
-ino - cristalino
-ivo - lucrativo
-onho - tristonho
-oso - bondoso

b) de verbos

Sufixo
Sentido
Exemplos
-(a)(e)(i)nte
ação, qualidade, estado
semelhante, doente, seguinte
-(á)(í)vel
possibilidade de praticar ou sofrer uma ação
louvável, perecível, punível
-io, -(t)ivo
ação referência, modo de ser
tardio, afirmativo, pensativo
-(d)iço, -(t)ício
possibilidade de praticar ou sofrer uma ação, referência
movediço, quebradiço, factício
-(d)ouro,-(t)ório
ação, pertinência
casadouro, preparatório


Sufixos adverbiais


Na língua portuguesa, existe apenas um único sufixo adverbial: É o sufixo "-mente", derivado do substantivo feminino latino mens, mentis que pode significar "a mente, o espírito, o intento".
Este sufixo juntou-se a adjetivos, na forma feminina, para indicar circunstâncias, especialmente a de modo. Exemplos:

altiva-mente, brava-mente, bondosa-mente, nervosa-mente, fraca-mente, pia-mente
Já os advérbios que se derivam de adjetivos terminados em –ês (burgues-mente, portugues-menteetc.) não seguem esta regra, pois esses adjetivos eram outrora uniformes. Exemplos:
cabrito montês / cabrita montês.

Sufixos verbais


Os sufixos verbais agregam-se, via de regra, ao radical de substantivos e adjetivos para formar novos verbos.
Em geral, os verbos novos da língua formam-se pelo acréscimo da terminação-arExemplos:
esqui-ar; radiograf-ar; (a)doç-ar; nivel-ar; (a)fin-ar; telefon-ar; (a)portugues-ar.

Os verbos exprimem, entre outras ideias, a prática de ação. Veja:

-ar: cruzar, analisar, limpar
-ear: guerrear, golear
-entar: afugentar, amamentar
-ficar: dignificar, liquidificar
-izar: finalizar, organizar

Observe este quadro de sufixos verbais:

Sufixo
Sentido
Exemplo
-ear
frequentativo, durativo
cabecear, folhear
-ejar
frequentativo, durativo
gotejar, velejar
-entar
factitivo
aformosentar, amolentar
-(i)ficar
factitivo
clarificar, dignificar
-icar
frequentativo-diminutivo
bebericar, depenicar
-ilhar
frequentativo-diminutivo
dedilhar, fervilhar
-inhar
frequentativo-diminutivo-pejorativo
escrevinhar, cuspinhar
-iscar
frequentativo-diminutivo
chuviscar, lambiscar
-itar
frequentativo-diminutivo
dormitar, saltitar
-izar
factitivo
civilizar, utilizar


Observações:

Verbo Frequentativo: é aquele que traduz ação repetida.
Verbo Factitivo: é aquele que envolve ideia de fazer ou causar.
Verbo Diminutivo: é aquele que exprime ação pouco intensa.

Radicais Gregos


O conhecimento dos radicais gregos é de indiscutível importância para a exata compreensão e fácil memorização de inúmeras palavras.
Apresentamos a seguir duas relações de radicais gregos. A primeira agrupa os elementos formadores que normalmente são colocados no início dos compostos, a segunda agrupa aqueles que costumam surgir na parte final.

Radicais que atuam como primeiro elemento


Forma
Sentido
Exemplos
Aéros-
ar
Aeronave
Ánthropos-
homem
Antropófago
Autós-
de si mesmo
Autobiografia
Bíblion-
livro
Biblioteca
Bíos-
vida
Biologia
Chróma-
cor
Cromático
Chrónos-
tempo
Cronômetro
Dáktyilos-
dedo
Dactilografia
Déka-
dez
Decassílabo
Démos-
povo
Democracia
Eléktron-
(âmbar)
Eletricidade Eletroímã
Ethnos-
raça
Etnia
Géo-
terra
Geografia
Héteros-
outro
Heterogêneo
Hexa-
seis
Hexágono
Híppos-
cavalo
Hipopótamo
Ichthýs-
peixe
Ictiografia
Ísos-
igual
Isósceles
Makrós-
grande, longo
Macróbio
Mégas-
grande
Megalomaníaco
Mikrós-
pequeno
Micróbio
Mónos-
um só
Monocultura
Nekrós-
morto
Necrotério
Néos-
novo
Neolatino
Odóntos-
dente
Odontologia
Ophthalmós-
olho
Oftalmologia
Ónoma-
nome
Onomatopeia
Orthós-
reto, justo
Ortografia
Pan-
todos, tudo
Pan-americano
Páthos-
doença
Patologia
Penta-
cinco
Pentágono
Polýs-
muito
Poliglota
Pótamos-
rio
Potamologia
Pséudos-
falso
Pseudônimo
Psiché-
mente
Psicologia
Riza-
raiz
Rizotônico
Techné-
arte
Tecnografia
Thermós-
quente
Térmico
Tetra-
quatro
Tetraedro
Týpos-
figura, marca
Tipografia
Tópos-
lugar
Topografia
Zóon-
Animal
Zoologia

 

Radicais que atuam como segundo elemento


Forma
Sentido
Exemplos
-agogós
Que conduz
Pedagogo
álgos
Dor
Analgésico
-arché
Comando, governo
Monarquia
-dóxa
Que opina
Ortodoxo
-drómos
Lugar para correr
Hipódromo
-gámos
Casamento
Poligamia
-glótta; -glóssa
Língua
Poliglota, glossário
-gonía
Ângulo
Pentágono
-grápho
Escrita
Ortografia
-grafo
Que escreve
Calígrafo
-grámma
Escrito, peso
Telegrama, quilograma
-krátos
Poder
Democracia
-lógos
Palavra, estudo
Diálogo
-mancia
Adivinhação
Cartomancia
-métron
Que mede
Quilômetro
-nómos
Que regula
Autônomo
-pólis;
Cidade
Petrópolis
-pterón
Asa
Helicóptero
-skopéo
Instrumento para ver
Microscópio
-sophós
Sabedoria
Filosofia
-théke
Lugar onde se guarda
Biblioteca


Radicais Latinos

Apresentamos a seguir duas relações de radicais latinos.
A primeira agrupa os elementos formadores que normalmente são colocados no iníciodos compostos, a segunda agrupa aqueles que costumam surgir na parte final.

Radicais que atuam como primeiro elemento


Forma
Sentido
Exemplo
Agri
Campo
Agricultura
Ambi
Ambos
Ambidestro
Arbori-
Árvore
Arborícola
Bis-, bi-
Duas vezes
Bípede, bisavô
Calori-
Calor
Calorífero
Cruci-
cruz
Crucifixo
Curvi-
curvo
Curvilíneo
Equi-
igual
Equilátero, equidistante
Ferri-, ferro-
ferro
Ferrífero, ferrovia
Loco-
lugar
Locomotiva
Morti-
morte
Mortífero
Multi-
muito
Multiforme
Olei-, oleo-
Azeite, óleo
Oleígeno, oleoduto
Oni-
todo
Onipotente
Pedi-
Pedilúvio
Pisci-
peixe
Piscicultor
Pluri-
Muitos, vários
Pluriforme
Quadri-, quadru-
quatro
Quadrúpede
Reti-
reto
Retilíneo
Semi-
metade
Semimorto
Tri-
Três
Tricolor

 

Radicais que atuam como segundo elemento


Forma
Sentido
Exemplos
-cida
Que mata
Suicida, homicida
-cola
Que cultiva ou habita
Arborícola, vinícola, silvícola
-cultura
Ato de cultivar
Piscicultura, apicultura
-fero
Que contém ou produz
Aurífero, carbonífero
-fico
Que faz ou produz
Benéfico, frigorífico
-forme
Que tem forma de
Uniforme, cuneiforme
-fugo
Que foge ou faz fugir
Centrífugo, febrífugo
-gero
Que contém ou produz
Belígero, armígero
-paro
Que produz
Ovíparo, multíparo
-pede
Velocípede, palmípede
-sono
Que soa
Uníssono, horríssono
-vomo
Que expele
Ignívomo, fumívomo
-voro
Que come
Carnívoro, herbívoro