segunda-feira, 10 de julho de 2017

Controle e descontrole dos olhos


Para onde devemos olhar? Para lugar nenhum é o mais seguro. Concordo que é paradoxo, mas é a solução mais indicada para viver bem nesta sociedade tão maliciosa.  
Há pessoas que estão sempre procurando um assunto e esse assunto poderá ser você. O pior é que talvez nunca saberá do tema e de ser você o alvo da gostosa prosa, ou seja, da fofoca. Em todos os segmentos sociais esta está presente, seja com elegância, seja descaradamente, para assumir todas as formas. 
Primeiro quadro social, duas pessoas religiosas conversando sobre um assunto:  
José - Oi! Graça e Paz! 
Onófre - Graça e Paz!   
José - Deus me perdoe, mas, é só um comentário... Você sabe... Nós que nos preocupamos com a obra de Deus temos que estar atentos... 
Onófre - concorda prontamente.  
José - vou contar este caso, mas não conte para ninguém! É para você orar pela família... 

As pessoas deste quadro apresentam a hipocrisia no meio religioso, fingindo preocupação com o próximo com o argumento de fazer a oração intercessória, mas o que quer na verdade é saber da vida alheia e se divertir com a desgraça alheia, divulgando-a indiscriminadamente.

Segundo quadro social
Uma mulher muito culta, durante uma palestra, não consegue parar o mal existente no seu caráter.
- Fala a socióloga no intervalo da palestra: Senhoras, quero fazer uma colocação de grande importância, mas devo trazer a juízo o meu rigoroso cuidado para não ferir a ética, o bom costume moral e os princípios herdados por nossos pais.
- Todas a mulheres, em sua maioria jovens casadas, ouvem atentamente.
- A socióloga continua sua exposição – Não tenho a intenção de ser pragmática, mas o comportamento que vos anunciarei pode beirar o paradoxo ideológico apresentado, por mim, às senhoras:
Na noite de terça-feira vi, sem nenhuma intenção de vê-lo, o diretor da minha empresa passar com o seu carro importado, vagarosamente, pela rua onde moro, às 23:00 h, aproximadamente. Vocês devem se perguntar: o que isso tem de importante? Pois bem, eu vos explicarei.  Mas quero deixar claro a importância da análise sociológica!
Retomando o assunto: ele é o meu chefe, muito bonito, alto, loiro de olhos azuis, muito inteligente e culto, sua esposa igualmente bonita e inteligente, e, sempre visita o marido na empresa em que ele preside. É um casal modelo, são pessoas maravilhosas! Ouçam-me bem! Não que fico vigiando o meu chefe! Mas percebo que seus olhos não param e sempre acompanha o andar das secretárias quando estas deixam algum documento em sua mesa.
Bom, deixa para lá! Naquela noite de terça-feira ele passeava com seu carro nas proximidades de minha residência, então vi a oportunidade e a importância de observar suas ações, pois se tratava de um doutor em psicologia, psicanálise e recém-formado em psiquiatria.
Entendam bem! Não estou ferindo a ética, nem seguindo um comportamento típico dos ignorantes. Para fortalecer nossa palestra é que estou contando o fato.
Ele parou o carro em uma esquina da rua Barata Ribeiro, uma quadra antes da casa de uma das secretárias, aquela que costumava usar as saias sempre da forma mais insinuante possível e que mais mexia com a respiração dele. Logo ele saiu do carro e comprou uma flor, rosa vermelha perfumada, pois eu conheço aquela floricultura, e usou o celular em seguida, então voltou para o carro. A pesar de minhas experiências confirmadas em centenas de pesquisas sobre a conduta com desnível conjugal, fiquei pasma! A secretária, mulatinha, aquela das saias sensuais, saiu de seu prédio e foi em direção a ele, se beijaram apaixonadamente, diante do público, sem escrúpulos, e entraram no carro para seguirem rumo desconhecido.
Continuou sua aplicação naturalmente: para fortalecer o que já falei sobre o assunto formação dos grupos sociais e seus desdobramentos na sociedade, façam uma pesquisa sobre as primeiras famílias luso-brasileiras e me entreguem na próxima quarta-feira.

Terceiro quadro:
No bairro de Madureira, na Vila Fraternidade, uma senhora de nome Arlete muito distinta, porém com mania de detive.
Arlete grita para sua vizinha da casa 07 que vinha passando: Ei! Ei! Creuza! Creuza!
Creuza era uma mulher de bem, recatada, solteira, 35 anos, enigmática, funcionária do Banco do Brasil, aluna de direito da UERJ, muito educada e boa ouvinte. Mesmo sem tempo, para e volta a fim de atender a sua vizinha Arlete.
Arlete agitada logo esbravejou: Tenho um babado daqueles... para te contar, já que você está sempre ausente, vou te colocar a par de uma das bandalheiras aqui do bairro.
Creuza que não tinha tempo para ler jornal e gostava de uma novidade, ficou paradinha e excitada com a possibilidade do novo.
Arlete começa: Sabe o Carlos? Aquele morador da casa 01? Pois é! Agora, quase toda noite, entra na casa da Margarete, aquela que é casada com o Cabo da Marinha. É só o pobre homem ficar de serviço, pronto! Entra às escondidas, por volta das 02 horas da madrugada e sai às seis horas da manhã. Quando o coitado viaja! Meu Deus! Os dois parecem até casados!
Creuza, uma solteirona, parece não ser apenas uma fofoqueira, mais também uma doente sexual. Com os olhos brilhando e se fingindo de indignada, faz clamores pela honra da família, e logo entra em sua casa.

Vejamos, onde os olhos pesquisadores se aplicarão? Notamos nos quadros acima que não tem regras, nem classes sociais, nem níveis educacionais com a presença da escolha apropriada de como se deve usar os olhos.
Como a boca assim são olhos, sem controle, o bem e o mal estão sempre em sua trajetória. Tanto um quanto o outro está ligado à natureza humana, que não é boa. Os desejos aflorados pelas glândulas, a alta sensibilidade das áreas erógenas, o ouvido e o olfato sempre levando lembranças impuras ao centro nervoso, fazem com que nos coloquemos em guerra contra nós mesmos, para que o espírito dado por Deus possa exercer o controle e nos manter ouvintes obedientes da nossa consciência. Assim temos a esperança de ver a sociedade viver e traçar metas de vida justa entre os homens.  

Autor: Professor Jair