DICIONÁRIO AULETE

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terça-feira, 30 de julho de 2013

6.0 - LINGUA PORTUGUESA – GRAMÁTICA PARÔNIMOS E HOMÔNIMOS



GRAFO ou GRÁFICO = escrita
FONO ou FÔNICO = som
HOMO = igual
HETERO = diferente
PARO = semelhante

HOMÔNIMOS

Há três tipos de homônimos:

1.-HOMOGRÁFOS HOMÓFONOS (escrita e pronúncia iguais; também chamado de homônimos perfeitos):
verão (estação do ano)      cedo (advérbio)
verão (do verbo “ver”)       cedo (do verbo “ceder”)

2.-HOMÓGRAFOS HETEROFÔNICOS (grafia igual e som diferente):
selo (substantivo)               governo (substantivo)
selo (verbo)                         governo (verbo)

3.-HOMÓFONOS HETERÓGRAFOS (som igual e grafia diferente)
serrar (cortar)                     coser (costurar)
cerrar (fechar)                    cozer (cozinhar)

PARÔNIMOS
São palavras parecidas na escrita e na pronúncia. Exemplos:
Sortir (abastecer)               infligir (aplicar pena, castigo)

Surtir (produzir efeito)      infringir (transgredir)

LITERATURA BRASILEIRA - POESIA ÉPICA DO ARCADISMO






BRASIL: A POESIA ÉPICA DO ARCADISMO

BASÍLIO DA GAMA
- nasceu em Tiradentes, Minas Gerais, em 1741, e morreu em Lisboa, em 1795;
- pseudônimo pastoril: Termindo Sipílio:
- Estudante jesuíta quando o Marquês de Pombal determinou a expulsão da Companhia de Jesus do Brasil: para não ser perseguido, viajou para Portugal e lá escreveu um epitalâmio em homenagem ao casamento da filha do Marquês, obtendo a simpatia dele e livrando-se da punição:
- tornou-se antijesuítico, o que se evidencia claramente em sua principal obra, o poema épico O Uraguai, dedicado ao irmão do Marquês;
- características de O Uraguai
- fuga ao modelo clássico camoniano na forma:
- versos decassílabos brancos
- estrofação irregular
- cinco cantos
- detrimento da mitologia em privilégio do “maravilhoso” indígena.
- antijesuitismo: vilão representado pelo jesuíta Balda;
- tema central: luta entre portugueses e espanhóis contra os índios na região de Sete Povos das Missões do Uruguai;
- nativismo, apego à terra natal:
- simpatia pelo índio
- plasticidade nas descrições da natureza
- personagens centrais
- Lindóia
- Cacambo – chefe indígena
- Caitutu
- Tanajura
- General Gomes Freire de Andrade – chefe português
- Catâneo – chefe espanhol
- principal momento da narrativa: “A morte de Lindóia”
- obras
- épica: O Uraguai
- variada: Obras poéticas
- poemeto: Quitúbia

SANTA RITA DURÃO

- nasce em cata Preta, em 1722, e morreu em Lisboa, em 1784;
- frei, formou e doutorou-se em filosofia e Teologia;
- perseguido pelos decretos anti-jesuitísticos de Pombal, passou vinte anos na Itália, regressando a Portugal após a queda do Marquês;
- Características do Caramuru
- obediência ao modelo camoniano;
- versos decassílabos em oitava-rima;

- divisão tradicional em cinco partes;
- uso da linguagem mitológica e do “maravilhoso” pagão e cristão
- tema central da narrativa: naufrágio de Diogo Alvares Correio, O Caramuru, e seus amores com as índias, principalmente Paraguaçu;
- indigenismo: o índio visto do ponto de vista analítico;
- influência da inspiração religiosa: exaltação do processo de colonização como empreiteira religiosa;
- personagens;
- Diogo Álvares Correia, o Caramuru
- Moema
- Paraguaçu
- Gupeva e Sergipe (chefes indígenas).
- principal momento da narrativa: “A morte de Moema”.
- obras
- épica: Caramuru
- prosa: Descrição da função do Imperador de Eiras.


O Uraguai, de Basílio da Gama

Análise da obra

O Uraguai, poema épico de 1769, critica drasticamente os jesuítas, antigos mestres do autor Basílio da Gama. Ele alega que os jesuítas apenas defendiam os direitos dos índios para ser eles mesmos seus senhores. O enredo situa-se todo em torno dos eventos expedicionários e de um caso de amor e morte no reduto missioneiro.

Tema central: Pelo Tratado de Madri, celebrado entre os reis de Portugal e de Espanha, as terras ocupadas pelos jesuítas, no Uruguai, deveriam passar da Espanha a Portugal. Os portugueses ficariam com Sete Povos das Missões e os espanhóis, com a Colônia do Sacramento. Sete Povos das Missões era habitada por índios e dirigida por jesuítas, que organizaram a resistência à pretensão dos portugueses. O poema narra o que foi a luta pela posse da terra, travada em princípios de 1757, exaltando os feitos do General Gomes Freire de Andrade. Basílio da Gama dedica o poema ao irmão do Marquês de Pombal e combate os jesuítas abertamente.

Personagens

General Gomes Freire de Andrade (chefe das tropas portuguesas); Catâneo (chefe das tropas espanholas); Cacambo (chefe indígena); Cepé (guerreiro índio); Balda (jesuíta administrador de Sete Povos das Missões); Caitutu (guerreiro indígena; irmão de Lindóia); Lindóia (esposa de Cacambo); Tanajura (indígena feiticeira).

Resumo da narrativa

A pobreza temática impele Basílio da Gama a substituir o modelo camoniano de dez cantos por um poema épico de apenas cinco cantos, constituídos por versos brancos, ou seja, versos sem rimas.

Canto I: Saudação ao General Gomes Freire de Andrade. Chegada de Catâneo. Desfile das tropas. Andrade explica as razões da guerra. A primeira entrada dos portugueses enquanto esperam reforço espanhol. O poeta apresenta já o campo de batalha coberto de destroços e de cadáveres, principalmente de indígenas, e, voltando no tempo, apresenta um desfile do exército luso-espanhol, comandado por Gomes Freire de Andrade.

Canto II: Partida do exército luso-castelhano. Soltura dos índios prisioneiros. É relatado o encontro entre os caciques Cepê e Cacambo e o comandante português, Gomes Freire de Andrade, à margem do rio Uruguai. O acordo  é impossível porque os jesuítas portugueses se negavam a aceitar a nacionalidade espanhola. Ocorre então o combate entre os índios e as tropas luso-espanholas. Os índios lutam valentemente, mas são vencidos pelas armas de fogo dos europeus. Cepé morre em combate. Cacambo comanda a retirada.

Canto III: O General acampa às margens de um rio. Do outro lado, Cacambo descansa e sonha com o espírito de Cepê. Este incita-o a incendiar o acampamento inimigo. Cacambo atravessa o rio e provoca o incêndio. Depois, regressa para a sede. Surge Lindóia. A mando de Balda, prendem Cacambo e matam-no envenenado. Balda é o vilão da história, que deseja tornar seu filho Baldeta, cacique, em lugar de Cacambo. Observa-se aqui uma forte crítica aos jesuítas. Tanajura propicia visões a Lindóia: a índia “vê” o terremoto de Lisboa, a reconstituição da cidade pelo Marquês de Pombal e a expulsão dos jesuítas. 

Canto IV: Maquinações de Balda. Pretende entregar Lindóia e o comando dos indígenas a Baldeta, seu filho. O episódio mais importante: a morte de Lindóia. Ela, para não se entregar a outro homem, deixa-se picar por uma serpente. Os padres e os índios fogem da sede, não sem antes atear fogo em tudo. O exército entra no templo. O poema apresenta então um trecho lírico de rara beleza:

"Inda conserva o pálido semblante 

Um não sei que de magoado e triste 

Que os corações mais duros enternece, 

Tanto era bela  no seu rosto a morte!"

Com a chegada das tropas de Gomes Freire, os índios se retiram após queimarem a aldeia.

Canto V: Descrição do Templo. Perseguição aos índios. Prisão de Balda. O poeta dá por encerrada a tarefa e despede-se. Expressa suas opiniões a respeito dos jesuítas, colocando-os como responsáveis pelo massacre dos índios pelas tropas luso-espanholas. Eram opiniões que agradavam ao Marquês de Pombal, o todo-poderoso ministro de D. José I. Nesse mesmo canto ainda aparece a homenagem ao general Gomes Freire de Andrade que respeita e protege os índios sobreviventes.

Apreciação crítica

O poema é escrito em decassílabos brancos, sem divisão em estrofes, mas é possível perceber a sua divisão em partes: proposição, invocação, dedicatória, narrativa e epílogo. Abandona a linguagem mitológica, mas ainda adota o maravilhoso, apoiado na mitologia indígena. Foge, assim, ao esquema tradicional, sugerido pelo modelo imposto em língua portuguesa, Os Lusíadas. Por todo o texto, perpassa o propósito de crítica aos jesuítas, que domina a elaboração do poema.

A oposição entre rusticidade e civilização, que anima o Arcadismo, não poderia deixar de favorecer, no Brasil, o advento do índio como tema literário. Assim, apesar da intenção ostensiva de fazer um panfleto anti-jesuítico para obter as graças de Pombal, a análise revela, todavia, que também outros intuitos animavam o poeta, notadamente descrever o conflito entre a ordenação racional da Europa e o primitivismo do índio.

Variedade, fluidez, colorido, movimento, sínteses admiráveis caracterizam os decassílabos do poema, não obstante equilibrados e serenos. Ele será o modelo do decassílabo solto dos românticos.

Além dessas, outras características notáveis do poema são:

Sensibilidade plástica: apreende o mundo sensível com verdadeiro prazer dos sentidos. Recria o cenário natural sem que a notação do detalhe prejudique a ordem serena da descrição.

Senso da situação: o poema deixa de ser a celebração de um herói para tomar-se o estudo de uma situação: o drama do choque de culturas.

Simpatia pelo índio, que, abordado inicialmente por exigência do assunto, acaba superando no seu espírito o guerreiro português, que era preciso exaltar, e o jesuíta, que era preciso desmoralizar. Como filho da “simples natureza”, ele aparece não só por ser o elemento esteticamente mais sugestivo, mas por ser uma concessão ao maravilhoso da poesia épica.

Devido ao tema do índio, durante todo o Romantismo, o nome de Basílio da Gama foi talvez o mais frequente, quando se tratava de apontar precursores da literatura nacional. Convém, entretanto, distinguir neste poeta o nativismo do interesse exterior pelo exótico, havendo mesmo predomínio deste, pois o indianismo não foi para ele uma vivência, foi antes um tema arcádico transposto em linguagem pitoresca.

O preto africano lhe feriu a sensibilidade também, tendo sido o primeiro a celebrá-lo no poemeto Quitúbia, mostrando que a virtude é de todos os lugares.

Basílio foi poeta revolucionário com seu poema épico. Enquanto Cláudio trazia ao Brasil a disciplina clássica, Basílio, sem transgredi-la muito, mas movendo-se nela com maior liberdade estética e intelectual, levava à Europa o testemunho do Novo Mundo.

Texto — A morte de Lindóia  (Canto IV)

Este lugar delicioso, e triste,
Cansada de viver, tinha escolhido
Para morrer a mísera Lindóia.
Lá reclinada, como que dormia,
Na branda relva, e nas mimosas flores,
Tinha a face na mão, e a mão no tronco
De um fúnebre cipreste, que espalhava
Melancólica sombra. Mais de perto
Descobrem que se enrola no seu corpo
Verde serpente, e lhe passeia, e cinge
Pescoço e braços, e lhe lambe o seio.
Fogem de a ver assim sobressaltados,
E param cheios de temor ao longe;
E nem se atrevem a chamá-la, e temem
Que desperte assustada, e irrite o monstro,
E fuja, e apresse no fugir a morte.
Porém o destro Caitutu, que treme
Do perigo da irmã, sem mais demora
Dobrou as pontas do arco, e quis três vezes
Soltar o tiro, e vacilou três vezes
Entre a ira e o temor. Enfim sacode
O arco, e faz voar a aguda seta,
Que toca o peito de Lindóia, e fere
A serpente na testa, e a boca, e os dentes
Deixou cravados no vizinho tronco.
Açouta o campo co'a ligeira cauda
O irado monstro, e em tortuosos giros
Se enrosca no cipreste, e verte envolto
Em negro sangue o lívido veneno.
Leva nos braços a infeliz Lindóia
O desgraçado irmão, que ao despertá-la
Conhece, com que dor! no frio rosto
Os sinais do veneno, e vê ferido
Pelo dente sutil o brando peito.
Os olhos, em que Amor reinava, um dia,
Cheios de morte; e muda aquela língua,
Que ao surdo vento, e aos ecos tantas vezes
Contou a larga história de seus males.
Nos olhos Caitutu não sofre o pranto,
E rompe em profundíssimos suspiros,
Lendo na testa da fronteira gruta
De sua mão já trêmula gravado
O alheio crime, e a voluntária morte.
E por todas as partes repetido
O suspirado nome de Cacambo.
Inda conserva o pálido semblante
Um não sei quê de magoado, e triste,
Que os corações mais duros enternece.
Tanto era bela no seu rosto a morte!

Observe a ausência de estrofes regulares, os versos brancos (sem rima), o vigor descritivo.

Créditos: Obra Formação da literatura brasileira, de Antôn

terça-feira, 23 de julho de 2013

Qual o gênero da poesia "O oportunista"?








O oportunista

Oba! O mundo está cheio de Mané,
Homens e mulheres que em tudo é fé.
Já decorei três versículos da Bíblia!
Agora ganho qualquer briga!
Falo conforme os seus sonhos...
E meu café tem leite, pão e até sonho.

Antes meu café era com pão duro
Depois da fé, xingo todos de imaturos
E tenho aplausos e muito dinheiro...
Meu amigo quis falar da tal verdade,
Acabou cardíaco; triste e sem amizade.
O pior que ele é crente de verdade...

Mas, não quero saber destas coisas!
Quero mesmo ser feliz e ser muito rico...
Ter um aviãozinho e uma mulher boa...
Cintura fina e linda como uma artista.
Aquelas que são escolhidas por novelista...
Podem não ser atriz, mas são populistas.

Igual às mulheres da globo e de Ipanema.
Eu que não quis estudar tenho até  cinema,
Lindo terno e um canal de televisão...
Olha, eu sou cidadão lindo como pavão!
A diferença é que tenho sapatos importados,
Meus pés são puro luxo e não são engraxados.

Agora estou com moral, vou ensinar teologia!
Já comprei um shopping velho para dar alegria,
Dou ao povo assim o que gosta, uma catedral!
Não interessa se estão vivendo bem ou mal
É só pedir oferta de cinquenta reais a mil reais,
Eles põem as mãos nos bolsos e dão muito mais.

Os teólogos radicais dizem que sou mercenário
E que vou ir para o inferno por fazê-los de otários.
Não me importo! Sei que sou um oportunista,
Sou apostolo, bispo, pastor e viajo como evangelista...
Vou deixar o relógio passar vigiando o tempo certo.
Se der tempo... Me arrependo e vou para o acerto...

Tomara que esse cálculo funcione com aqueles planos,
Que foram feitos desde a eternidade aos humanos.
Encontrem os braços bondosos de Jesus a lhes esperar.
Mas sei , pelos “crentãos”, que Ele não se deixa enganar.
Porém como um bom jogador, um oportunista eu sou
E com certeza a cartada última é dada pelo Salvador.


Um dia acordei acreditando que tudo estava normal.
Até chegar a minha mesa o funcionário com o jornal
Choroso, arrasado e batendo no peito gritava:
Não sou e nunca fui um pastor e agora para onde vou?
A mensagem é verdadeira e todos os santos Ele levou.

Que droga! O meu oportunismo para nada adiantou...

LITERATURA (PORTUGUESA/BRASILEIRA - "ARCADISMO")






LITERATURA  - ARCADISMO

CARACTERÍSTICAS GERAIS

- oposição aos exageros do Barroco: busca de simplicidade – “Inutilia  Tuncat”
- bucolismo, pastoralismo: natureza convencional estática, perfeita, decorativa – “Loco Amoenus”
- desprezo pela cidade, pela vida urbana – “Fugere Urbem”
- hedonismo: busca do prazer terreno, fruição da vida na Terra – “Carpe Diem”
(Carpe diem é uma frase em latim de um poema de Horácio, e é popularmente traduzida para colha o dia ou aproveite o momento. É também utilizado como uma expressão para solicitar que se evite gastar o tempo com coisas inúteis ou como uma justificativa para o prazer imediato, sem medo do futuro. ) Wikipédia, a enciclopédia livre
- mimese: Arte = imitação racional da ntureza verossimilhança
- adoção de pseudônimos pastoris para os poetas e suas musas
- fingimento poético: mundo habitado por deuses e ninfas, num tempo e natureza fictícios
- racionalismo: predomínio da razão sobra e a emoção refeamento da subjetividade- harmonia, equilíbrio, clareza, submissão a regras e modelos preestabelecidos
- retomada dos ideais clássicos de Arte: valorização da mitologia, paganismo
- Arcádia: segundo a mitologia, região do Olimpo, habitada por pastores que viviam em amenos idílios campestres com suas ninfas, governados pelo deus Pan.

SETECENTISMO: O ARCADISMO O NEOCLASSISMO

BRASIL: A POESIA LÍRICA DO ARCADISMO CLÁUDIO MANUEL DA COSTA

- pseudônimo pastoril: Glauceste Satúrio;
- nasceu em Mariana, em 1729, e morreu em Vila Rica, atual Ouro Preto em 1789, na prisão; envolvido na devassa da Inconfidência Mineira;
- forte influência do modelo camoniano;
- poesia de transição entre Barroco e o Arca-dismo, sóbria, elegante;
- resíduos do Barroco cultista: metáforas, hipérbatos, hipérboles;
- oscilação entre o amor ao Brasil (Colônia) e o apego a Portugal (Metrópole):
- presença da natureza rochosa e áspera de Minas Gerais e também da paisagem portuguesa (Tejo, Lisboa), embora demonstre certa fixação pelos penhascos moneiros:
- ambiguidade nativismo x colonialismo
- dilaceramento interior, pessimismo: contraste entre o rústico e o civilizado:
- platonismo amoroso:
- ideal  da mulher sublimada, inatingível;
- amor infeliz, irrealizado, não correspondido;
- contraste entre a mudança das coisas e a perenidade do sentimento amoroso
- musa mais frequente: Nise
- *obras: - lírica: Obras Poéticas
- épica: Vila Rica (com a estrutura tradicional de Os Lusíadas)

TOMAS ANTÔNIO GONZADA
- pseudônimo pastoril lírico: Dirceu
- nasce em Portugal (Porto) em 1744, veio para o Brasil aos sete anos e morreu em Moçambique, em 1810;
- poeta mais equilibradamente neoclássico do Arcadismo brasileiro;
- estilo clássico, contido, sóbrio, vazado em linguagem simples, acessível, direta;
- imitação direta da natureza de Minas Gerais: nesse sentido, fuga aos padrões da natureza convencional neoclássica;
- poesia lírica
- contida na obra Marília de Dirceu
- cunho autobiográfico: noivado de Gonzaga com Maria Dorotéia, a Marília;
- expressão pessoal – subjetivismo, narcisismo, autoafirmação durante a fase de conquista de Marília.

1ª Parte das Liras de Marília de Dirceu
- panos de noivado e casamento;
- ideal burguês de vida: orgulho como proprietário de terras, como um “vaqueiro superior”;
- otimismo, hedonismo: “Carpe Diem”.
- pastoralismo, bucolismo;
- tom de completa felicidade.

2ª Parte Liras de Mrília de Dirceu
- escritas na prisão;
- lirismo pré – romântico;
- melancolia, depressão, saudade do passado;
- subjetivismo, ainda que contido pelo convencionalismo árcade;
- tom trágico de desalento.
- poesia satírica.
- representada pelas Cartas chilenas
- poema inacabado, constituído por treze cartas;
- transposição da realidade brasileira da época para o Chile e a Espanha, assim efetuada:
- Portugal = Espanha
- Chile = Minas Gerais
- Madrid = Santiago
- Fanfarrão Minésio = Governador Luís da Cunha Menezes
- Autor das cartas: Critilo
- Destinatário: Doroteu
- crítica à tirania e ao abuso de poder do Governador Menezes, à sua arbitrariedade e à prepotência:
- escrita em versos brancos, constituiu a obra satírica mais importante do século XVIII no Brasil
- obras
- lírica: Marília de Dirceu
- satírica: Cartas chilenas
- jurídica: Tratado de Direito Natural.

OUTROS POETAS LÍRICOS DO ARCADISMO BRASILEIRO

Silva Alvarenga
Alvarenga Peixoto








Tomás Antônio Gonzaga nasceu no Porto, em 1744. Órfão de mãe no primeiro ano de vida, Mudou-se com o pai, magistrado brasileiro, para Pernambuco em 1751 e depois para a Bahia. Aí estudou no Colégio dos Jesuítas e, em 1761, voltou a Portugal para cursar Direito. Durante alguns anos, foi juiz de fora em Beja (Portugal). Quando voltou ao Brasil, em 1782, foi nomeado ouvidor de Vila Rica e um ano depois conheceu a adolescente Maria Joaquina Dorotéia de Seixas Brandão, a pastora Marília, imortalizada em sua obra lírica, por quem se apaixonou e chegou a ficar noivo. Pobre e bem mais velho que ela, sofreu oposição da família. Tornou-se amigo, entre outros, de Cláudio Manuel da Costa e Alvarenga Peixoto. Embora não acreditasse nas aspirações sonhadoras dos amigos, ofereceu sua casa para as reuniões do grupo. Sua implicação na revolta de Minas parece ter sido fruto de calúnias arquitetadas por seus adversários. Apesar do pequeno papel nesse evento, foi preso como inconfidente e condenado ao exílio em Moçambique, em 1792. Conseguindo refazer sua vida, ali se casou e atingiu altos postos, morrendo como juiz da Alfândega de Moçambique, em 1810.

CARACTERÍSTICAS LITERÁRIAS

Tomás Antônio Gonzaga, cujo nome arcádico é Dirceu, escreve poesias líricas, com temas pastoris e de galanteio em que o eu lírico está sempre na fala de uma personagem. Nelas, Dirceu se dirige à amada, a pastora Marília.
As liras à sua pastora refletem a trajetória do poeta, na qual a prisão atua como um divisor de águas [ver Antologia]. Antes do encarceramento, num tom de felicidade, canta a ventura da iniciação amorosa, a satisfação do amante, que, valorizando o momento presente, busca a simplicidade e o refúgio na natureza amena, que ora é européia, artificial, virgiliana e ora mineira. Depois da reclusão, num tom trágico de desalento, canta o infortúnio, a justiça, o destino e a eterna consolação no amor de Marília. São compostas em redondilha menor ou em decassílabos quebrados. Expressam simplicidade e gracioso lirismo íntimo, decorrentes da naturalidade e da singeleza no trato dos sentimentos e da escolha linguística. Demonstram subjetivismo intenso, revelando algo novo naquela época fria e formal do vazio arcádico. Ao delegar posição poética a um campesino, sob cuja pele se esconde um elemento civilizado, Gonzaga cai em contradições, ora assumindo a postura de pastor, ora a de burguês.
As Cartas Chilenas correspondem a uma coleção de doze cartas, assinadas por Critilo e endereçadas a Doroteu, residente em Madri. Critilo, habitante de Santiago do Chile (leia-se Vila Rica), narra os desmandos despóticos e narcisistas do governador chileno, o Fanfarrão Minésio (leia-se, Luís da Cunha Meneses). São poemas satíricos, em versos decassílabos brancos, que circularam em Vila Rica poucos antes da Inconfidência Mineira. Revelando seu lado satírico, num tom mordaz , agressivo, jocoso, pleno de alusões e máscaras, o poeta satiriza ferinamente a mediocridade administrativa e os desmandos dos componentes do Governo. Por muito tempo, discutiu-se a autoria das Cartas Chilenas. Após estudos comparativos da obra com cada um dos elementos do Grupo Mineiro, possíveis autores, concluiu-se que o verdadeiro autor é Gonzaga e que Critilo é ele mesmo e Doroteu, Cláudio Manuel da Costa.
Fonte: www.nilc.icmc.usp.br

Marília de Dirceu é uma obra de Tomás Antônio Gonzaga, foi escrita em dois momentos diferentes da vida do autor e faz parte do movimento literário conhecido como Arcadismo ou Neoclassicismo. É dividido em duas partes em que o autor em seu texto idealiza a amada e faz com que ela seja supervalorizada. A primeira parte foi escrita antes da sua prisão e exílio quando na época estava noivo de Maria Dorotéia, a quem se credita à alusão do amor na obra. A segunda parte foi escrita em Moçambique onde ele ficou exilado. Acredita-se que os momentos em que ele vivia influenciaram sua obra.

Resumo de Marília de Dirceu

Na primeira parte ele exalta Marilia onde são predominantes as características do arcadismo com composições convencionais. O personagem Pastor Dirceu sempre exalta a beleza de Marília. Durante algumas liras é bem perceptível a sua confissão amorosa, em que Dirceu, um homem de quarenta anos, se apaixona por uma adolescente e sente a necessidade de mostrar que não é qualquer um que merece Marilia. Ele projeta uma vida sossegada cheia de filhos no futuro, com os cuidados da mulher que ama ao seu lado. O bucolismo e o retrato da paisagem do campo são sempre descritos nesta parte. Neste primeiro momento os versos são leves. Leia um trecho:
PARTE I
Lira I
Eu, Marília, não sou algum vaqueiro,
Que viva de guardar alheio gado;

De tosco trato, d’ expressões grosseiro,
Dos frios gelos, e dos sóis queimado.
Tenho próprio casal, e nele assisto;
Dá-me vinho, legume, fruta, azeite;
Das brancas ovelhinhas tiro o leite,
E mais as finas lãs, de que me visto.
Graças, Marília bela,
Graças à minha Estrela!
Na segunda parte, escrita enquanto Tomás Antônio Gonzaga estava preso na ilha das Cobras, Moçambique, é nítido a solidão e a saudade de Marília, expressando o que o autor sentia na época. Nesta parte melancólica que se encontra o melhor dos versos de Gonzaga. O pré-romantismo está presente ao longo das liras sendo bem perceptível. Solidão, injustiça, saudade, medo do futuro e a presença constante da morte rompem com o que era considerado clássico. O tom usado por Gonzaga é de pessimismo e concisão, sendo um anúncio para o próximo movimento literário, o romantismo. A declaração e adoração por Marilia continuam nesta parte.
Há uma terceira parte, que é contestada por muitos críticos apesar de ser reconhecida. Nela estão 8 liras, sonetos e poesias. Marília é mais uma vez o objeto de inspiração. As liras de Gonzaga possuem uma estrutura métrica que pouco varia, os versos com quatro silabas tem a redondilha menor, onde a acentuação é na segunda e quinta sílaba.








Tipos de Personagem | Redação - Algo Sobre

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