sexta-feira, 21 de junho de 2013

LITERATURA (Barroco - "Portugal - Brasil")





LITERATURA  - BARROCO
BARROCO (Final do séc.XVI e início do séc. XVII)

Período literário caracterizado pelos contrastes, oposições e dilemas.
O homem do barroco buscava a salvação ao mesmo tempo que queria usufruir dos prazeres mundanos,daí surgiram os conflitos.É o antropocentrismo (homem) opondo-se ao Teocentrismo (Deus).

O homem deste período está entre o céu e a Terra. Mesmo se valorizando, ele vivia atormentado pela idéia do pecado,então vivia buscando a salvação.
CARACTERÍSTICAS
1 - Culto dos contrastes.Presença da antítese.
claro/escuro
vida/morte
tristeza/alegria

3  - Intensidade=presença da hipérbole(figura de linguagem caracterizada pelo exagero da expressão)
4 - Linguagem muito rebuscada

AUTORES E OBRAS
1- Bento Teixeira: “Prosopopéia” marco inicial do Barroco brasileiro em 1601
2- Gregório de Matos:apelidado “Boca do Inferno”.Escreveu poesia lírica,satírica e religiosa.Não publicou nada em vida,o que conhecemos de sua obra é fruto de pesquisas.O apelido é porque o autor retratava a sociedade da época(às vezes, com uma linguagem considerada de baixo calão.)
3 – Padre Antônio Vieira: “Sermão da Sexagésima”,”Sermão de Santo Antônio aos peixes”
ANÁLISE DO POEMA “A INSTABILIDADE DAS COUSAS DO MUNDO” DE GREGÓRIO DE MATOS
CARACTERÍSTICAS GERAIS
·         - Arte do conflito: arte da contra-reforma;
·         - Dualismo fusionismo: tentativa de conciliar o teocentrismo medieval com o antropocentrismo renascentista e consequentemente valores opostos como:
- alma x corpo
- carne x espírito
- virtude x prazer
- fé x razão
- céu x terra
·         - rebuscamento nas artes plásticas e na expressão literária:
·         - contornos, relevos, delírios cromáticos;
·         - excesso de figuras de linguagem: antítese, paradoxos, metáforas, hipérboles, hipérbatos, paranomásias, anáforas, anadiploses etc.
·         - Pessimismo
·         - em relação à transitoriedade da vida e à enfermidade dos valores
·         - violento confronto de temas opostos
·         - descontentamento humano em face da existência
·         - feismo
·         - preferências pelos aspectos hediondos da realidade;
·         - ênfase na dor e na vergonha;
·         - temática da penitência, com destaque para o martírio da dor
·         - cultismo e conceptismo
·         - cultismo:
- valorização da forma dos aspectos sensoriais;
- estilo trabalhado, repleto de figuras e trocadilhos;
- também chamado gongorismo, porque foi desenvolvido pelo poeta espanhol Gôngora.
·         - conceptismo
- valorização do conteúdo, das ideias;
- organização do pensamento segundo uma lógica rigorosa com vistas à persuasão.


Transcrição da matéria publicada no site http://www.brasilescola.com/

O Barroco começa a partir do ano de 1600 e todas as manifestações entre essa data e 1700 estão inseridas em um contexto assimétrico e rebuscado das obras barrocas. Segundo alguns autores, a palavra “barroco” deriva da palavra “verruca” do latim, que significa elevação de terreno em superfície lisa. Toda pedra preciosa que não tinha forma arredondada era chamada de barrueca. Logo após, toda e qualquer coisa que possuía forma bizarra, que fugia do normal, era chamada de baroque. O poeta italiano Giosuè Carducci foi quem, em 1860, adjetivou o estilo da época dos Seiscentos, referindo-se às manifestações artísticas ocorridas a partir do ano de 1600, como sendo barroco. Então, apesar de não possuir características unânimes em todas as obras, o barroco passou a ser a denominação dos artistas e escritores da referida época.
O Barroco ou Seiscentismo teve início em Portugal com a unificação da Península Ibérica, fato que acarreta ao período intensa influência espanhola, e também faz surgir outra denominação para o período, Escola Espanhola. No Brasil, o Barroco teve início em 1601, com a publicação do poema épico Prosopopeia, de Bento Teixeira, o qual introduz em definitivo o modelo da poesia camoniana na literatura brasileira. 

Portugal estava em decadência nos últimos vinte e cinco anos do século XVI, o comércio tornava Lisboa a capital da pimenta, no entanto, a agricultura estava abandonada e as colônias portuguesas, inclusive o Brasil, não deram riquezas imediatas. Pouco tempo depois, com o desaparecimento de D. Sebastião, Filipe II da Espanha consolidou a unificação da Península Ibérica, o que possibilitou e favoreceu o avanço da Companhia de Jesus em nome da Contrarreforma, o que ocasionou a permanência de uma cultura praticamente medieval na península, enquanto o restante da Europa vivia as descobertas científicas de Galileu, Kepler e Newton, por exemplo.

É durante este quadro cultural europeu que o estilo Barroco surgiu, em meio à crise dos valores renascentistas, ocasionada pelas lutas religiosas e dificuldades econômicas. O contexto assimétrico e rebuscado do barroco, citado anteriormente, é reflexo do conflito do homem entre as coisas terrenas e as coisas celestiais, o homem e Deus, antropocentrismo (homem no centro) e o teocentrismo (Deus no centro), pecado e o perdão, enfim, constantes dicotomias.

No Barroco podemos classificar dois estilos literários: O Cultismo e o Conceptismo.

 • Cultismo – caracterizado pela linguagem culta, rebuscada, ligado à forma, jogo de palavras, com influência do poeta espanhol Luís de Gôngora, e por isso, chamado também de Gongorismo.

 • Conceptismo – caracterizado pelo jogo de ideias, ligado ao conteúdo, raciocínio lógico, com influência do espanhol Quevedo, e por isso, chamado também de Quevedismo.

No Barroco brasileiro destacam-se os autores: Padre Antônio Vieira com suas obras de profecias, cartas e sermões e Gregório de Matos Guerra, essencialmente poético.


Por Sabrina Vilarinho
Graduada em Letras


AUTORES E OBRAS DE NOSSO BARROCO
_________________________________________________BARROCO (SEISCENTISMO), de 1601 a 1768.
BENTO TEIXEIRA (1561-1600)
Poesia Épica: "Prosopopeia", obra publicada em Lisboa no ano de 1601; é considerada o marco inicial do Barroco literário no Brasil, e tida, por algum tempo, como o primeiro poema impresso de autor brasileiro. Entretanto, descobriu-se, mais tarde, que Bento Teixeira se passava por pernambucano, quando, na verdade, era natural da cidade do Porto (Portugal). Prosopopeia é de influência camoniana - a semelhança de Os Lusíadas -, composta com 94 estrofes de versos decassílabos em oitava heroica (AB, AB, AB, CC). Feita com a finalidade de louvar a D. Jorge de Albuquerque Coelho, donatário da Capitania de Pernambuco.
MANUEL BOTELHO DE OLIVEIRA (1636-1711)
Poesia: "Música do Parnaso" (coletânea de poemas) – obra publicada em Lisboa, em 1705. Dividida em quatro coros de rimas – portuguesas, castelhanas, italianas e latinas. Destaca-se o poema A Ilha da Maré e os sonetos dedicados à amada Anardasua musa soberanaBotelho foi o primeiro escritor nascido no Brasil a ter um livro publicado.
FREI MANOEL DE SANTA MARIA ITAPARICA (1704-?)
Poesia: "Eustáquidos" (1769) - Epopeia sacra e tragicômica poema sacro, sobre a vida de Santo Eustáquio. Nesta obra encontra-se a Descrição da Cidade da Ilha de Itaparica, apologia hiperbólica (exagerada) da paisagem brasileira.
PADRE ANTÔNIO VIEIRA (1608-1697)
Foi o maior pregador do seu tempo; defensor dos negros, dos índios e dos cristãos-novos (judeus convertidos). A defesa dos cristãos-novos e valeram-lhe o ódio da Inquisição que o processou por opiniões heréticas. Foi condenado a dois anos de reclusão em uma casa jesuítica e o impedimento de pregar. Anistiado por D. Pedro, regressou ao Brasil em 1681. Pertence tanto à nossa literatura quanto a portuguesa.
Sermão (quase duzentos). Os Principais são:
Þ "Sermão da Sexagésima" (parábola do semeador) - O mais importante e polêmico dos seus sermões. Foi pregado na Capela Real de Lisboa, em março de 1655. Compõe-se de 10 pequenos capítulos, baseado no Evangelho segundo São Lucas: Semen est verbum Dei (A semente é a palavra de Deus). Esse sermão critica o estilo de outros pregadores (seus adversários católicos, os gongóricos dominicanos) que ao invés de pregarem servindo a Deus, o fazem para agradar aos homens.
Þ "Sermão Pelo Bom Sucesso Das Armas De Portugal Contra As De Holanda" - Pregado na Igreja de Nossa Senhora da Ajuda, Bahia, em 1640. Vieira incita o povo a combater os invasores holandeses, realçando os horrores e depredações que eles fariam. O sermão ficou célebre pelo trecho conhecido como a "Apóstrofe Atrevida", onde questiona Deus, em pleno púlpito da igreja, com o Santíssimo Sacramento exposto: "Não me admiro tanto, Senhor, de que hajais de consentir semelhantes agravos e afrontas nas vossas imagens, pois já as permitistes em vosso sacratíssimo corpo; mas nas da Virgem Maria, nas de Vossa Santíssima Mãe, não sei como isto pode estar com a piedade e amor de Filho (...).Deus meu? (...). Sois o mesmo, ou és outro?". Se você tem interesse em "conhecer" a Apóstrofe Atrevida, clique Aqui!
Þ "Sermão de Santo Antônio" (aos Peixes) – Pregado em São Luís do Maranhão, em 1654. Vieira critica os costumes e o aprisionamento dos índios.
Cartas: cerca de quinhentas, versando sobre o relacionamento entre Portugal e Holanda, a Inquisição e as ações dos Jesuítas na colônia.
Profecia: "História do Futuro" e "Esperanças de Portugal". Publicados postumamente. Nestas obras, nota-se a defesa do sebastianismo – crença segundo a qual o rei D. Sebastião, não morrera em combate na África, voltaria em breve para elevar Portugal a uma posição de destaque.
[GREGÓRIO DE MATOS] GUERRA (1633-1693)
Apelido: Boca do Inferno (devido linguagem maliciosa e ferina com que criticava pessoas e instituições da época).
Advogado formado em direito pela universidade de Coimbra. Foi o mais importante poeta do Barroco Brasileiro.
Sua obra nunca foi publicada em vida, o que ocasionou muitos problemas de autoria. Permaneceu inédita até o século XX quando a Academia Brasileira de Letras publicou, entre 1923 e 1933, seis volumes: I. Poesia Sacra; II. Poesia Lírica; III. Poesia Graciosa; IV. e V. Poesia Satírica e VI.Últimas. ®Sérgio.

RICARDO SÉRGIO

EXERCÍCIOS DE LITERATURA



1       – Associe as cantigas a suas respectivas características:
(a) cantiga de escárnio ou maldizer
(b) Cantiga de amigo
(c)   cantiga de amor

(   ) Busca de um amado, diálogo com a natureza
(   ) Amor platônico entre um plebeu e uma dama da corte
(    ) Critica e ridicularização de pessoas ou posturas da corte.  

02 – Gil Vicente inovou o teatro Português medieval, entdre as características de sua obra podemos apontar:

(01)Pudor religioso e defesa da corte.
(02)Peças compostas em autos e farsas.
(04)           Peças moralizadoras apesar do humor.
(08)           Satirizou o clero e toda a corte da época.
(16)           Sua obra de estreia foi o Auto da Compadecida.

03 – sobre Luiz Vaz de Camões é correto afirmar que:

(01)     Escreveu principalmente poesias lírica e épica.
(02)     Trata dos descobrimentos e do nacionalismo em sua maior obra: Os Lusíadas.
(04) Teve forte influência do modelo Platônico de amor.
(08) Trouxe para o Brasil a medida nova, o soneto.

04 – Entende-se por Literatura informativa no Brasil.

a)    O conjunto de relatos de viajantes e missionários europeus, sobre a natureza e o homem brasileiro.
b)    A história dos jesuítas que aqui estiveram no séc. XVI.
c)     As obras escritas com a finalidade de catequese indígena.
d)    Os poemas de José de Anchieta.
e)    Os sonetos de Gregório de Matos.


05 – A origem da nossa formação literária encontra-se no séc. XVI. Dela fazem parte:

a)    As obras produzidas pelos degredados que eram obrigados a se instalar no Brasil.
b)    B) os escritos que os donatários das capitanias hereditárias faziam ao rei de Portugal.
c)     Os relatos dos cronistas e viajantes.
d)    As produções arcádicas (ou árcades).
e)    As poesias de Gregório de Matos.

06 – Se suas cartas não apresentam valor literário reconhecível os demais aspectos da obra do missionário – um representado por citações literárias com objetivo pedagógico, outro por criações desinteressadas – devem ser literalmente valorizados, sobre tudo o teatro em verso.

O texto refere-se aos textos produzidos no séc. XVI por:

a)    José de Anchieta;
b)    Pero Vaz de Caminha;
c)     Antônio Vieira;
d)    Bento Teixeira;
e)    Manuel da Nóbrega.


Respostas:
01 – b), c), a)
02 – 14 = (02+04+08)
03 – 07 = (01+-2+04)
04 – a)
05 – b)
06 – a )

domingo, 16 de junho de 2013

LITERATURA - CLASSICISMO






Luís  Vaz de Camões (1524? A 1580)
Lutando contra os mouros, na investiga portuguesa em Ceuta, em 1549, perde a vista direita, razão pela qual será sempre lembrado com um tapa-olho. Preso em 1552 por envolver-se em brigas embarca para o oriente no ano seguinte, em serviço militar. Vive na miséria em Goa e em Moçambique. Graças ao auxílio de amigos regressa a Lisboa em 1569. Em 1572, publica sua obra-prima, Os Lusíadas, e passa a viver de uma modesta pensão oferecida por Dom Sebastião, a quem dedicara seu poema épico. O poeta morre em 1580, mesmo ano em que Portugal cai sobre o domínio Espanhol.
“...acabarei a vida e verão todos que fui tão afeiçoado à minha pátria que não me contentei em morrer nela, mas com ela”.
Sua obra lírica foi publicada após sua morte, no volume Rimas (1595). É composta por diversas formas poéticas: éclogas, odes, sextilhas, oitavas, elegias, canções. Mas é nas redondilhas e nos sonetos que o gênio camoniano transparece de forma mais evidente. Nos sonetos Camões utiliza a medida nova. O verso decassílabo de origem italiana trazida a Portugal por Sá de Miranda. Costuma-se dividir os sonetos de Camões em dois grupos básicos: os clássicos, com predominância dos temas do neoplatonismo e do ideal da perfeição; e os maneiristas, que compõe a maior parte da sonetística camoniana. O maneirismo de Camões é tido como um momento transitório entre a placidez clássica e o tumulto do Barroco. Nos sonetos maneiristas, o poeta envereda pelos temas do desacerto do mundo e da mutabilidade das coisas.

LITERATURA – QUINHENTISMO CARACTERÍSTICAS GERAIS





·         Literatura de informação
- Visita de inúmeros viajantes estrangeiros;
- relatórios com informações sobre a nova terra;
- detalhamento da fauna, da flora e dos aspectos exóticos e pitorescos dos habitantes do Brasil;
- uso da linguagem referencial, denotativa;
- caráter descritivo.
·         Nativismo: visão edênica, paradisíaca da nova terra:
- acréscimo de dados fantasiosos e elementos mágicos à realidade encontrada;
-- idealização, visão medieval, revestida de certo caráter bíblico – a terra criada por Deus;
- objetivo de incentivar a imigração e os investimentos na Colônia.


- A Literatura Jesuítica ou de Catequese:
·         Objetivo principal: catequese dos índios, obra missionária da Campanha de Jesus;
·         Educação dos colonos: elemento importante na formação da nacionalidade brasileira;
·         Tradição medieval: representação de “autos” religiosos nas grandes festas da Cristandade;
·         Ênfase na literatura dramática: representação de peças – maior facilidade de penetração através do teatro;
·         Aproveitamento do folclore dos nativos: aproximação com o índio através da música se do canto;
·         Principal autor: José de Anchieta
- (poemas, autos, cartas e sermões) – destaque para o Poema à Virgem.