DICIONÁRIO AULETE

iDcionário Aulete

quinta-feira, 30 de maio de 2013

LITERATURA - Humanismo Português



O Humanismo significou um novo posicionamento do homem frente a si mesmo e ao mundo. A retomada das ideias clássicas Greco-romanas e o choque com o mundo medieval e com os dogmas da Igreja levaram a transformações artísticas, literárias e científicas. O artista estuda a natureza e procura imitá-la com perfeição. Surge a valorização da individualidade do artista, em contraste com o caráter coletivo das obras medievais. Surge na Itália o Dolce stil nuovo (doce estilo novo). O teatro incorpora a sátira, a ironia, e o retrato do cotidiano. A partir do século XVI as primeiras formas de romance se desenvolvem.
Gil  Vicente
Realismo cômico, sátira e fantasia, música e poesia, dança e tensão dramática – tudo isso Gil Vicente reúne, num estilo simples e natural, sem grandes complicações no argumento. De 1502, quando fez representar sua primeira peça. Auto da Visitação ( ou monólogo do Vaqueiro), até 1536, quando escreveu sua última obra, Floresta de enganos, ele apresentou à corte portuguesa 44 peças, reunidas por seu filho Luis, em 1562, no volume Compilaçam.  Sua obra se divide em Autos: peças de temática sacra; e Farsas: peças de temática profana, em ambas ele se mostra um estupendo moralizador através do humor.
Todo-o-mundo e Ninguém – Auto da Lusitânia (1532)
Entra Todo-o-Mundo, vestido como rico mercador, e faz que anda buscando alguma coisa que se lhe perdeu; e logo após ele um homem, vestido como pobre. Este se chama Ninguém.
Ninguém – Que andas tu ai buscando?
Todo-o-mundo – Mil coisas ando a buscar. Delas não posso achar, porém ando porfiando, por quão bom é porfiar.
Ninguém – Como hás nome, cavaleiro?
Todo-o-Mundo – Eu hei nome Todo-o-Mundo, e meu tempo todo inteiro sempre é buscar dinheiro, e sempre nisto me fundo.
Ninguém – E eu hei nome Ninguém, e busco a consciência.
Belzebu – Esta é boa experiência! Dinato, escreve isto bem.
Dinato – Que escreverei, companheiro?
Belzebu – Que Ninguém busca consciência, e Todo-o-Mundo dinheiro.
Ninguém – E agora que buscas lá?
Todo-o-Mundo – Busco honra muito grande.
Ninguém – E eu virtude, que Deus mande que tope co’ela  já.
Belzebu – Outra adição nos açude: escreve logo ai a fundo que busca honra Todo-o-Mundo e Ninguém busca virtude.
Ninguém – Buscas outro maior bem que esse?
Todo-o-Mundo – Busco mais quem me louvasse tudo quanto eu fizesse.
Ninguém – E eu quem me repreendesse em cada coisa que errasse.
Belzebu – Escreve mais.
Dinato – Que tens sabido?
Belzebu – Que quer em extremo grado Todo-o-Mundo ser louvado, e Ninguém ser repreendido.
Ninguém – Buscas mais, amigo meu?
Todo-o-Mundo – Busco a vida e quem a dê.
Ninguém – A vida não sei que é, a morte conheço eu.
Belzebu – Escreve lá outra sorte.
Dinato – Que sorte?
Belzebu – Muito garrida: Todo-o-Mundo busca a vida, e ninguém conhece a morte.
Todo-o-Mundo – E mais queria o paraíso, sem mais ninguém pra estorvar.
Ninguém – E eu ponho-me  a pagar quanto devo para isso.
Belzebu – Escreve com muito aviso.
Dinato – Que  escreverei?
Belzebu – Escreve que Todo-o-Mundo quer paraíso, e Ninguém paga o que deve.
Todo-o-Mundo – Folgo muito de enganar, e mentir nasceu comigo.
Ninguém – Eu sempre verdade digo, sem nunca me desviar.
Belzebu – Ora escreve lá, compadre, não sejas tu preguiçoso!
Dinato – Quê?
Belzebu – Que Todo-o-Mundo é mentiroso, e Ninguém diz a verdade.
Ninguém – Eu sou todo desengano.
Belzebu – Escreve, ande lá mano!
Dinato – Que me mandas assentar?

Belzebu – Põe ai mui declarado, não te fique no tinteiro: Todo-o-Mundo é lisonjeiro, e Ninguém desengado.

terça-feira, 28 de maio de 2013

Deputado recebe ameaças de morte após denunciar que urnas brasileiras sã...

quarta-feira, 22 de maio de 2013

Trovadorismo - Conceito




1ª Fase da Literatura Portuguesa  (Anteclássica ou Medieval)

     O período anteclássico ou medieval abrange os séculos XII, XIII, XIV e XV, envolvendo dois momentos literários: Trovadorismo (1189-1418) e Humanismo (1418-1527) (este último é considerado um momento de transição). Para o estudo dessa época costumam os historiadores tomar os gêneros em verso e em prosa separadamente. Na poesia, por exemplo, encontram-se duas fontes de lirismo bem A Poesia  Trovadoresca, escrita em galaico-português, apresenta duas espécies:
-a lírico-amorosa, expressa em dois moldes, a cantiga de amor e a cantiga de amigo;
-a satírica, expressa na cantiga de escárnio e na cantiga de maldizer.
O poema recebia o nome de "cantiga" (ou ainda de "canção" e "cantos") por associar-se à música: era cantado acompanhado de instrumento musical.
Havia o trovador (nobre que fazia trovas por imperativo da moda), o segrel, o menestrel (profissional) e o jogral (espécie de bobo da corte, que apenas executava ou interpretava as composições alheias).
demarcadas: a de inspiração provençal e a de inspiração espanhola (peninsular).
Cantigas de Amor
Contêm a confissão amorosa do Poeta (trovador) a uma dama de condição social geralmente superior à dele ("domina") ou casada; portanto, inacessível.
O eu-lírico é masculino.
A primeira cantiga documentada remonta ao ano de 1189 (ou 1198), foi escrita pelo trovador Paio Soares de Taveirós e dedicada a D. Maria Pais Ribeiro, dama da corte do rei D. Sancho I. Não se conhece a pauta musical, mas o texto é o seguinte:
Cantiga da Ribeirinha - Paio Soares de Taveirós
No mundo non me sei parelha, (não conheço par)
mentre me for como me vai. (enquanto)
ca já moiro por vos - e ai! (porque)
mia senhor branca e vermelha,
queredes que vos retraia (retrate, louve)
quando vos eu vi en saia! (sem manto)
Mau dia me levantei,
que vos enton non vi fea!
E, mia senhor, dês aquel dia, ai! (desde)
me foi a mi mui mal,
e vós, filha de don Paai
Moniz, e Ben vos semelha (parece)
d'haver eu por vos guarvaia, (manto da realeza)
pois eu, mia senhor, d'alfaia (presente, recompensa)
nunca de vos houve nen hei (tive-tenho)
valia d'ua correa. (que valha uma correia)
Cantigas de Amigo
Contêm a confissão amorosa da mulher, inspiram-se na vida rural e popular. A moça dirige-se à mãe, às amigas, aos pássaros, às fontes, às flores etc, perguntando pelo homem amado.
Nelas sempre está presente a palavra amigo (namorado, amigo ou amante).
Originaram-se do folclore popular na própria Península Ibérica.
Mostram o outro lado da relação amorosa: o sofrimento (coita amorosa) da mulher (coitada), abandonada pelo "amigo".
O eu-lírico é feminino, embora seja o trovador quem faz (e canta) a cantiga.
Exemplos de cantiga de amigo:
Cantiga de amigo- Aires Nunes
Bailemos nós já todas três, ai amigas,
so aquestas avelaneiras frolidas,
e quen fôr velida, como nós, velidas,
se amig'amar, so aquestas avelaneiras frolidas
Verrá bailar.
Bailemos nós já todas três, ai irmanas,
so aqueste ramo destas avelanas,
e quem bem parecer, como nós parecemos,
se amig'amar,
so aqueste ramo destas avelanas,
verrá bailar.
Por Deus, ai amigas, mentr'al non fazemos
so aqueste ramo frolido bailemos,
e quen bem parecer, como nós parecemos,
so aqueste ramo so lo que bailemos
se amig'amar,
verrá bailar.
Vocabulário:
velida = bonita
Cantigas de escárnio e cantigas de maldizer. Com o intuito humorístico e satírico, a diferença entre estas duas modalidades é que a primeira serve-se da ironia, e a de maldizer, da sátira direta, agressiva, contundente.
Cantiga de Escárnio - Pero Garcia Burgalés
Rui Queimado morreu con amor
en seus cantares par Sancta Maria
por ua dona que gran bem queria
e por se meter por mais trovador
porque Ih'ela non quis [o] benfazer
fez-s'el en seus cantares morrer
mas ressurgiu depois ao tercer dia!
Esto fez-el por ua sa senhor
que quer gran bem e mais vos en diria;
porque cuida que faz i maestria
enos cantares que fêz a sabor
de morrer i e desi d'ar viver;
esto faz el que x'o pode fazer
amar outr'omem per ren non [n] o faria
E non há já de sa morte pavor
senon sa morte mais la temeria
mas sabede ben per sa sabedoria
que vivera dês quando morto fôr
e faz-[s'] cantar morte prender,
desi ar viver: vêde que poder
que Ihi Deus deu, mas que non cuidaria
E se mi Deus a mim desse poder
qual oi'el há pois morrer
jamais morte nunca temeria.
Cantiga de Maldizer - João Garcia Guilhade
Ai dona fea; fostes-vos queixar
porque vos nunca louv'en meu trobar
mais ora quero fazer un cantar
en que vos loarei tôda via
e vêdes como
vos quero loar:
dona fea, velha e sandia!
Ai dona fea! se Deus me perdon!
e pois havedes tan gran coraçon
que vos eu loe en esta razon,
vos quero já loar tôda vida;
e vêdes qual será a loaçon:
dona fea, velha e sandia!
Os Cancioneiros
As composições dessa época estão contidas nos cancioneiros (conjunto de canções).
São três os cancioneiros:
·                     Cancioneiro da Ajuda (310 Cantigas).
·                     Cancioneiro da Vaticana (1205 Cantigas).
·                     Cancioneiro da Biblioteca Nacional de Lisboa (1647 Cantigas), também conhecido por Cancioneiro Colocci-Brancutti.
Entre os autores se destacam:
·                     Paio Soares de Taveirós;
·                     D. Dinis (Rei de Portugal) - Séc. XIII - XIV;
·                     D. Sancho I (2º Rei de Portugal);
·                     D. Pedro, Conde de Barcelos ;
·                     Aires Nunes;
·                     Joan Zorro.

A Prosa Trovadoresca
Gêneros em prosa do período medieval:
·                     Hagiografias: relatos da vida dos santos da Igreja, geralmente em latim.
·                     Cronicões: anotações de datas e acontecimentos históricos, em seqüência cronológica.
·                     Nobiliários ou Livros de Linhagens: árvores genealógicas das famílias nobres, elaboradas com o intuito de resolver problemas de heranças e de evitar "casamentos em pecado".
·                     Novelas de Cavalaria: narrativas das aventuras dos cavaleiros medievais. Originaram-se da prosificação das "canções de gesta" (guerra) e aglutinavam-se em três ciclos:
o                  ciclo clássico, em que os heróis eram "emprestados" da literatura clássica (Ulisses, Enéias ...);
o                  ciclo carolíngio, versando sobre as aventuras de Carlos Magno e os Doze Pares de França. Algumas dessas novelas foram trazidas para o Brasil no período da colonização, e seus heróis alimentam ainda hoje a literatura de cordel nordestina.
o                  ciclo bretão ou arturiano, o mais fecundo de todos, com as histórias sobre o Reino de Camelot, o Rei Artur e os Cavaleiros da Távola Redonda. Três são as novelas remanescentes desse ciclo: José de Arimatéia, História de Merlim e A Demanda do Santo Graal.
Com o advento do Humanismo, esses ciclos de novelas deram lugar a um novo ciclo - o dos Amadises - desvinculado dos ideais religiosos cristãos e com erotização das relações amorosas.
A última novela de cavalaria data do século XVI, e, embora visasse à crítica do gênero e de seu conteúdo, que já se acreditavam esgotados, terminou por constituir-se na melhor e mais famosa de todas  trata-se de D. Quixote de la Mancha, de Miguel de Cervantes.

Características gerais da literatura modernista





AS REVOLTAS MODERNISTAS
Situação histórica
·  início do século XX
·  I Guerra Mundial
·  Crise de todos os valores europeus
Movimentos de vanguarda:
Futurismo - Dadaísmo

Características gerais da literatura modernista

·  Anticonvencionalismo dos temas e da linguagem
·  valorização do cotidiano
·  liberdade de expressão
·  ambigüidade
·  destruição dos nexos
·  verso livre
·  enumeração caótica
·  fluxo da consciência
·  paródia

Cronologia dos antecedentes do modernismo


História Ocidental
História do Brasil
1914
Francisco Fernando, Arquiduque da Áustria é assassinado em Serajevo. A Áustria inteifere na Sérvia, apoiada pela Alemanha. Ao lado da Sérvia ficam a Rússia, a França e a Inglaterra. Iniciava-se a I Guerra Mundial.
Wenceslau Brás é eleito presidente da República
1915
A Itália entra na Guerra ao lado dos anglo-franceses. A Bulgária e a Turquia entram ao lado dos autro-alemães.
Instala-se na Brasil o "Nacional City Bank of New York".
Pinheiro Machado "o coronel dos coronéis", é assassinado.
1916
Batalha de Verdum entre franceses e alemães deixa centenas de milhares de mortos.
Pacifica-se a região do Contestado, onde em 1912 irrompera violento surto de fanatismo messiânico.
1917
Cai o Czar Nicolau II e inicia-se a revolução bolchevista, chefiada por Lenin.
O Brasil entra na Guerra contra a Alemanha.
1918
A Alemanha rende-se aos aliados. Nascem as repúblicas da Áustria, Hungria, Tchecoslováquia e Polônia. Proclama-se o reino da Ioguslávia.
Greves irrompem em várias capitais brasileiras.
1919
O humilhante tratado de Versalhes é imposto aos alemães, gerando os ressentimentos que desencadearão o Nazismo.

1920
Finda a Guerra Civil na Rússia com a vitória de Lenin e seus partidários.
É fundada - na capital federal - a primeira Universidade brasileira.
1921
A URSS inicia a recuperação econômica. É assindo o Tratado de Washington, definindo a posse de territórios no pacífico.
Inicia as suas atividades a Companhia Belgo-Mineira, a primeira indústria siderúrgica no Brasil.
1922
Após a "Marcha sobre Roma", Mussolini impõe o Fascismo na Itália.
Levante tenentista, no Forte de Copacabana, expressando o nascimento de uma atitude antioligárquica e progressista em setores da jovem oficialidade.

Arte Ocidental
Arte no Brasil
1914
Chaplin estréia no cinema
O termo futurismo comaça a aparecer nos jornais brasileiros, com conteúdo pejorativo.
1915


1916
Brancusi e Archipenko iniciam a escultura abstrata. Sinais dadaístas na música.

1917
Mondrian lança o neo-plasticismo na pintura.
Após estudos na Alemanha e na América, Anita Malfati retorna a São Paulo e expõe os seus quadros com elementos cubistas e expressionistas. Monteiro Lobato critica a mostra através do artigo: "Paranóia ou mistificação". Malfatti é defendida por Oswald de Andrade e Menotti del Picchia.
1918
Manifesto dadaísta de Tristan Tzara.

1919
Groplus funda a Escola de Bauhaus. Inicia-se o cinema expressionista com O gabinente do dr. Calligari, do diretor alemão Robert Wiene.

1920
Carlitos realiza o clássico O Garoto. Escândalo na exposição dadaísta em Colônia, na qual os visitantes recebiam uma faca para danificar os Quadros.
Brecheret, em contato com o grupo modernista, expõe a máquina do Monumento às Bandeiras, a princípio recusada pelo gosto conservador das autoridades paulistas.
1921
Erich Mendelssohn constrói a Torre de Einstein e inaugura a arquitetura expressionista.

1922
Paul Klee com seus quadros prepara o advento do Surrealismo.
Realiza-se no Teatro Municipal de São Paulo A Semana de Arte Moderna. Novas adesões ao grupo modernista. Pensa-se na organização de uma mostra da nova arte. Artigo de Oswald de Andrade a respeito de Mário de Andrade: Meu poeta futurista. Mário redige Paulicéia desvairada.
CARACTERÍSTICAS DA LITERATURA MODERNISTA
AMBIGÜIDADE
O discurso literário perde o sentido fechado que geralmente possuía no século passado. Ou seja, ele oferecia ao leitor apenas um sentido, uma interpretação. Agora, ele tem um caráter variado e polissêmico. Uma rede de significações, que permite múltiplos níveis de leitura. É a chamada obra aberta, obra que não apresenta univocidade, ou seja, que não se esgota numa única interpretação. Daí a impressão de modernidade que um romance como Dom Casmurro, ou um conto como Missa do galo, nos transmitem até hoje.
Estrela da manhã, de Manuel Bandeira, por exemplo, é um poema representativo do polissenso da literatura contemporânea. No final da leitura, não sabemos com absoluta convicção o que essa estrela simboliza. Uma mulher experiente que o poeta deseja? Uma prostituta? A própria vida a que Bandeira pela doença foi obrigado a abdicar?
Eu quero a estrela da manhã
Onde está a estrela da manhã ?
Meus amigos meus inimigos
Procurem a estrela da manhã

Ela desapareceu ia nua
Desapareceu com quem?
Procurem por toda a parte

Digam que sou um homem sem orgulho
Um homem que aceita tudo
Que me importa?
Eu quero a estrela da manhã

Virgem mal-sexuada
Atribuladora dos aflitos
Girafa de duas cabeças
Pecai por todos pecai com todos

Pecai com os malandros
Pecai com os sargentos
Pecai com os fuzileiros navais
Pecai de todas as maneiras
Com os gregos e os troianos
Com o padre e o sacristão
Com o leproso de Pouso Alto

Depois pecai comigo
Te esperarei com mafuás novenas cavalhadas
comerei terra e direi coisas de uma
ternura tão simples
que tu desfalecerás

Procurem por toda a parte
Pura ou degradada até a última baixeza
Eu quero a estrela da manhã.

MODERNISMO
CARACTERÍSTICAS DA LITERATURA MODERNISTA
PARÓDIA
Os modernistas realizam, em todas as artes, uma aproximação crítica das obras do passado. No universo literário, a releitura de textos famosos das escolas anteriores torna-se uma forma de rejeição ou de admiração. Com freqüência, os modernos terminar por reescrever alguns dos textos consagrados sob uma perspectiva de humor: é a paródia.
Um dos livros de crítica literária de Mário de Andrade chama-se A escrava que não é Isaura, numa evidente alusão ao romance de Bernardo Guimarães. Poucos poetas resistiram à chance de parodiar a antológica Canção do exílio, de Gonçalves Dias, conforme podemos verificar num conjunto de excertos, como o de Oswald de Andrade, Canto do regresso à pátria:
Minha terra tem palmares
Onde gorjeia o mar
Os passarinhos aqui
Não cantam como os de lá

Minha terra tem mais rosas
E quase que mais amores
Minha terra tem mais ouro
Minha terra tem mais terra (...)

Não permita Deus que eu morra
Sem que eu volte para são Paulo
Sem que eu veja a rua 15
E o progresso de São Paulo

Em Canção, Mário Quintana parece fazer um protesto ecológico:
Minha terra não tem palmeiras...
E em vez de um mero sabiá,
Cantam aves invisíveis
Nas palmeiras que não há.

Carlos Drummond, mais filosófico, reflete sobre a distância da felicidade em Nova canção do exílio:
Um sabiá
na palmeira, longe.
Estas aves cantam
um outro canto. (...)

Onde tudo é belo
e fantástico,
só, na noite,
seria feliz.
(Um sabiá,
na palmeira, longe.)

Também Murilo Mendes mostra-se irreverente com o célebre poema romântico:
Minha terra tem macieiras da Califórnia
onde cantam gaturamos de Veneza. (...)
Eu morro sufocado em terra estrangeira.
Nossas flores são mais bonitas
nossas frutas são mais gostosas
mas custam cem mil réis a dúzia.

Ai quem me dera chupar uma carambola de verdade
e ouvir um sabiá com certidão de idade!

É, no entanto, de Carlos Drummond uma das mais perfeitas paródias de toda a nossa literatura: Sentimental. Partindo de um conhecido poema de Fagundes Varela, onde o mesmo expressa, com muita propriedade e encanto, a aspiração do amor romântico à eternidade - traduzido na gravação do nome da amada num arbusto - o poeta mineiro vale-se, ao inverso, de letrinhas de sopa de macarrão para registrar o seu afeto. Com isso, não apenas satiriza as grandes paixões do Romantismo, como revela o caráter efêmero de todas as relações de nosso tempo.
Ponho-me a escrever teu nome
com letras de macarrão.
No prato, a sopa esfria, cheia de escamas
e debruçados na mesa todos contemplam
esse romântico trabalho.

Desgraçadamente falta uma letra
Uma letra somente
para acabar teu nome!

- Está sonhando? Olhe que a sopa esfria.
Eu estava sonhando...
E há em todas as consciências este cartaz amarelo:
"Neste país é proibido sonhar."

MODERNISMO

Cronologia e características dos movimentos literários



Estilo
Portugal
Brasil
Características
Trovadorismo
1189/1198
A Ribeirinha
Paio Soares de Taveirós
Gêneros: cantigas (poesia), novelas de cavalaria, nobiliários, hagiografias.

Cantigas de Amor: sofrimento, idealização, eu-lírico masculino, ambiente da Corte, dama inacessível, caráter análítico-descursivo.
Cantigas de Amigo: eu-lírico feminino, confessional, ambiente popular, paixão incorrespondida, reaalista, narrativo-descritiva.
Cantigas de Escárnio e Maldizer: críticas indiretas ou diretas de pessoas ou fatos de uma época. Rica fonte de documentação. 
Humanismo
1418
Fernão Lopes, guarda-mor da Torre do Tombo.
Gêneros: historiografia, teatro popular, prosa doutrinária.
Gil Vicente (teatro)

Teatro: em poesia, versa sobre assuntos profanos ou religiosos; carpintaria teatral rudimentar; ausência de regras; sem unidade de ação, tempo e espaço. Aspectos críticos de uma sociedade em transição.
Classicismo
Quinhentismo
1527
Sá de Miranda
Introdução da medida nova.
Gêneros: poesia lírica, épica, teatro e crônicas.
Camões (poesia)
1500 (Quinhentismo)
1º Documento escrito em terras brasileiras: Carta a D. Manuel. 
Gêneros: poesia lírica e épica, teatro e crônicas.
Pero Vaz de Caminha
José de Anchieta
Valorização do homem (antropocentrismo); paganismo (maravilhoso pagão); superioridade do homem sobre a natureza; objetividade; racionalismo; universalidade; saber concreto em detrimento do abstrato; retomada dos valores greco-romanos; rigor métrico, rímico e estrófico: equilíbrio e harmonia.
Barroco
1580
Morte de Camões
Portugal sob o domínio espanhol.
Gêneros: oratória sacra, política e social;
poesia religiosa, satírica e lírico-amorosa.
Pe. Antônio Vieira
(oratória)
1601
Bento Teixeira: publicação de Prosopopéia
Pe. Antônio Vieira (oratória)
Gregório de Matos (poesia)
Arte dos contrastes: antinomia homem - céu, homem - terra; visualização e plasticidade; fugacidade; não-racionalismo; unidade e abertura (perspectivas múltiplas para o observador); luta entre o profano e o sagrado. Culto a elementos evanescentes (água/vento). Sentido de transitoriedade da vida; carpe diem (aproveitar o momento); valorização do presente, movimento ligado ao espírito da Contra - Reforma; jogos de metáforas; riqueza de imagens; gosto pelo pormenor; malabarismo verbal – uso de hipérbato, hipérbole, metáforas e antíteses. 
Arcadismo
1756
Fundação da Arcádia Lusitana.
Gênero: poesia
Bocage (poesia)
1768
Cláudio Manuel da Costa:
Obras Poéticas
Cláudio Manuel da Costa, Tomás Antônio Gonzaga (poesia lírica e épica)
Basílio da Gama e Santa Rita Durão (poesia épica)
Arte do equilíbrio e harmonia; busca do racional, do verdadeiro e da natureza; retorno às concepções de beleza do Renascimento; poesia objetiva e descritiva; aurea mediocritas: o objetivo arcádico de uma vida serena e bucólica; pastoralismo; valorização da mitologia; técnica da simplicidade. Literatura linear e regrada: inutilia truncat (cortar o inútil).
Romantismo
1825
Almeida Garrett
Publicação do poema Camões
Gêneros: prosa (romance e novela)
poesia e teatro.
1836
Gonçalves de Magalhães
Publicação de Suspiros Poéticos e Saudades
Poesia: Gonçalves Dias, Álvares de Azevedo, Casimiro de Abreu, Castro Alves.
Prosa: (urbanos) Alencar, Joaquim Manuel de Macedo, Manuel Antônio de Almeida; (regionalistas) Alencar, Bernardo Guimarães, Taunay; (indianista-histórico) Alencar 
1ª Geração: nacionalismo, ufanismo, natureza, religião (cristianismo), indianismo/medievalismo.
2ª Geração: mal do século, evasão, solidão, profundo pessimismo, anseio da morte.
3ª Geração: condoreirismo, liberdade, oratória de reivindicação, transição para o Parnasianismo, literatura social e engajada.
Geral: imaginação, fantasia, sonho, idealização, sonoridade, simplicidade, subjetivismo, sintaxe emotiva, liberdade criadora. 
Realismo/ Parnasianismo/
Naturalismo
1865
Questão Coimbrã: Antero de Quental contra Castilho (Novos x Velhos)
Gêneros: prosa (romance, conto, crônica), poesia, crítica.
Prosa: Eça de Queirós
 
 
Poesia: Antero de Quental, Cesário Verde, Guerra Junqueiro.
1881
Machado de Assis
Publicação de Memórias Póstumas de Brás Cubas/ Realismo
Aluísio de Azevedo
Publicação de O Mulato/ Naturalismo
Década de 80
Definição do ideário parnasiano.
Prosa: Machado de Assis, Aluísio Azevedo, Raul Pompéia
Poesia: Olavo Bilac, Alberto de Oliveira, Raimundo Correia, Vicente de Carvalho.
Realismo: preocupação com a verdade exata, observação e análise, personagens tipificadas, preferência pelas camadas altas da sociedade. Objetividade. Descrições pormenorizadas. Linguagem correta, no entanto é mais próxima da natural, maior interesse pela caracterização que pela ação – tese documental.
Naturalismo: visão determinista do homem (animal, presa de forças fatais e superiores – meio, herança genética, fisiologia, momento). Tendência para análise dos deslizes de personalidade. Deturpações psíquicas e físicas. Preferência pela classe operária. Patologia social: miséria, adultério, criminalidade, etc – tese experimental.
Parnasianismo: arte pela arte, objetividade, poesia descritiva, versos impassíveis, exatidão e economia de imagens e metáforas, poesia técnica e formal, retomada de valores clássicos, apego à mitologia greco-romana.
Simbolismo
1890
Eugênio de Castro
Publicação de Oaristos
Gêneros: poema e prosa.
Poesia: Camilo Pessanha
1893
Cruz e Sousa
Publicação de Missal (prosa poética) e Broquéis (poesia).
Poesia: Cruz e Sousa e Alphonsus de Guimaraens, Pedro Kilkerry, Emiliano Perneta.
Simbolismo: reação contra o positivismo, o Naturalismo e o Parnasianismo; individualismo, subjetivismo psicológico, atitude irracional e mística, respeito pela música, atitude irracional e mística, respeito pela música, cor, luz; procura das possibilidades do léxico.
Pré-Modernismo
.
1902
Publicação de Os Sertões, de Euclides da Cunha; Canaã, de Graça Aranha.
Prosa: Monteiro Lobato, Euclides da Cunha, Lima Barreto, Graça Aranha.
Poesia: Augusto dos Anjos;
Pré-Modernismo: tendência das primeiras décadas do século XX, sentido mais crítico, fixando diferentes facetas da realidade social, política ou alterações na paisagem e cor local.
Modernismo
1915 – 1ª fase
Revista Orfeu
1930 – 2ª fase
Alves Redol
Publicação de Gaibeús
Mais recentemente: Surrealismo.
Gêneros: poesia, prosa (crônica, conto, romance), teatro
Poesia: Fernando Pessoa, Mário de Sá-Carneiro, Florbela Espanca, José Régio, etc
Prosa: Fernando Namora, Vergílio Ferreira, Alves Redol, Ferreira de Castro, Branquinho da Fonseca, José Saramago, etc. 
1922- Semana de Arte Moderna.
1922-30 – 1ª fase: revolucionária: Mário de Andrade.
Publicação de Paulicéia Desvairada.
1930-45 – 2ª fase: 
neo-realismo, literatura regional..
José América de Almeida
A Bagaceira
Geração de 45- 3ª fase: investigar comportamentos e atitudes do ser humano
João Guimarães, Clarice Lispector, João Cabral.
Literatura contemporânea (Pós-Modernismo); década de 50.
Enorme proliferação de estilos.
Concretismo
Poesia –práxis
Contos
 
1ª Geração: revolucionária – negação da tradição cultural, antipurista, antiacademicista, linguagem coloquial, verso livre, nacionalismo crítico, ironia, sarcasmo, irreverência. Poema-piada, liberdade de criação. Predomínio da poesia.
2ª Geração: estabilidade: herança de 22, acrescentando aprimoramento da linguagem (inclusive metalinguagem), busca da expressão universal, recuperação de valores tradicionais (Neo-simbolismo), engajamento religioso e social, literatura de denúncia das condições humanas. Predomínio da prosa (romance) de tendências neo-realistas e regional.
3ª Geração: Não se mostram tão preocupados com o contexto sociopolítico; análise da natureza humana. Rigor formal.
Literatura contemporânea:
Proliferação de estilos, experimentalismo na forma, o cotidiano. Proliferação de contistas e cronistas. crises de caráter existencial, reflexões metafísicas