segunda-feira, 8 de abril de 2013

2.1 LÍNGUA PORTUGUESA (Unidades mínimas de significação)





Unidades mínimas de significação

1.       São unidade mínimas de significação aquelas que não admitem subdivisão em unidades significativas menores. Assim, a unidade ou morfema trabalh-, que depreendemos da lição anterior (2), figura com a mesma significação em diversos vocábulos da língua:
trabalh
o
trabalh
a
dor
trabalh
ismo
trabalh
a
r
trabalh
eira
trabalh
os
o
Mas não podemos  subdividir trabalh- senão em sílabas (tra-balh) ou em fonemas       (t-r-a-b-a-l),  unidades sonoras despidas de significação.
2.       Se voltarmos a examinar os morfemas a que reduzimos os vocábulos de nossa frase-exemplo, notaremos entre eles diferenças de mais de uma ordem.
Em sua absoluta maioria são formas presas, isto é, formas que só aparecem ligadas  a outras para constituir vocábulos. Dois deles, no entanto, são formas não-presas ou livres, pois formam vocábulos por si sós: o artigo e o pronome tudo.
Concluímos daí que há morfemas que são formas presas e outros que são vocábulos.

3.       Os morfemas ainda se distinguem quanto à natureza da significação. Uns têm significação dita externa, porque referente ao homem e a tudo o que faz parte do mundo. Outros a têm interna, pois que o seu sentido está relacionado ao universo linguístico ou sistema, que é a língua.
Os primeiros, conhecidos como morfemas lexicais1, são, no plano da língua, representantes ou símbolos básicos de tudo o que os falantes distinguem na realidade subjetiva ou objetiva, como:
trabalh
o
constant
e
azul

cas
a
pens
a
men
to
am
a
r
menin
a
trist
ez
a

venc
e
r

Compreendem uma série aberta, infinitamente renovável e ampliável, já que podem ser criadas sempre que surjam fatos, coisas, ideias, ações, etc., que precisem ser designados linguisticamente.
Os morfemas de significação interna, também chamados morfemas gramaticais2, pertencem a uma série fechada, de número limitado na língua. Assim: o artigo o, o –e (de constante), o –e ( de vence) e o pronome tudo, em nossa frase–exemplo. Não significam nada parecido com as noções de trabalh(o), cas(a), menin(a), constant(e), pens(amento), trist(eza), azul, am(ar) e venc(er), mas são eles que permitem que símbolos dessa natureza tenham  suas noções básicas derivadas para outros símbolos, ou que sejam utilizadas em frases, simplificando grandemente o esforço humano no processo de comunicação pela palavra. Se a cada noção correspondesse um vocábulo específico, se tivéssemos, por exemplo, para cada pessoa, número, tempo e modo de uma ação um verbo diferente, a memória humana dificilmente poderia suportar a carga de informação.

1)                  Também chamados lexemas ou semantemas.
2)                Também conhecidos por gramemas ou formantes.