quarta-feira, 20 de fevereiro de 2013



A redação (teoria)

Produção de texto: como ensinar os alunos a escrever de verdade
Para produzir textos de qualidade, seus alunos têm de saber o que querem dizer, para quem escrevem e qual é o gênero que melhor exprime essas ideias. A chave é ler muito e revisar continuamente
Narração, descrição e dissertação. Por muito tempo, esses três tipos de texto reinaram absolutos nas propostas de escrita. Consenso entre professores, essa maneira de ensinar a escrever foi uma das principais responsáveis pela falta de proficiência entre nossos estudantes. O trabalho baseado nas famosas composições e redações escolares tem uma fragilidade essencial: ele não garante o conhecimento necessário para produzir os textos que os alunos terão de escrever ao longo da vida. "Nessa abordagem, ninguém  considerava quem seriam os leitores. Não havia a reflexão sobre a melhor estratégia para colocar uma ideia no papel", resume Telma Ferraz Leal, da Universidade Federal de Pernambuco. http://revistaescola.abril.com.br/lingua-portuguesa/

VÍCIOS DE LINGUAGEM

Lendo – e relendo – a redação, temos condições de corrigir uma série de vícios de linguagem. Eis os principais vícios a serem evitados:

1- AMBIGUIDADE ou ANFIBOLOGIA – frase com duplo sentido.
Exemplo:        Peguei o ônibus correndo.
Dúvida:           quem corria, o “ônibus” ou “eu”?

Vejamos duas possibilidades de reescrita da frase:
·         Peguei o ônibus que corria. (= o ônibus corria)
·         Correndo, peguei o ônibus. (=eu corria)

2- PLEONASMO VICIOSO – presença de palavras redundantes na frase.
Exemplo I:       O Diretor deferiu favoravelmente o requerimento.
Correção:        O Diretor deferiu o requerimento.

Exemplo II:      Ao subir para cima do morro, avistou o vilarejo.
Correção:         Ao subir o morro, avistou o vilarejo.

3- CACOFONIA ou CACÓFATO – formação de palavras de sentido ridículo, decorrente da sequência de vocábulos na frase.
Exemplo I:        Eu vou-me já (=”mijá”) para casa.
Correção:          Eu vou para casa.

Exemplo II:       O nosso hino (=“suíno”) é belíssimo.
Correção:          O hino nacional é belíssimo.

4- ECO – ocorrência de palavras com a mesma terminação. É a rima sem um propósito estilístico.
Exemplo:         Neste momento tive um aumento no vencimento.
Correção:         A partir deste instante tive um aumento salarial.

5- COLISÃO – sucessão desagradável de sons consonantais.
Exemplo:         O Jaime viaja já  ou em janeiro?
Correção:         O Jaime viajará imediatamente ou apenas no mês de janeiro?

6- HIATO – sucessão desagradável de sons vocálicos.
Exemplo:          Ênio vai à aula hoje à tarde?
Correção:         Ênio irá, hoje à tarde, à aula?

7- SOLECISMO – erro de sintaxe.
Concordância
Exemplo:    Basta três moedinhas para fazê-lo saltitar.
Correção:   Bastam três moedinhas para fazê-lo saltitar.
Regência
Exemplo:    Ivan aspira o cargo de presidente.
Correção:   Ivan aspira ao cargo de presidente.
Colocação
Exemplo:    Discutirão-se muitos projetos.
Correção:   Discutir-se-ão muitos projetos.

8- BARBARISMO – palavra errada quanto à pronúncia ou grafia. (O erro de acentuação tônica chama-se silabada; o erro de grafia chama-se cacografia.)
Exemplos:
fiLÂNtropo, em vez de filanTROpo.
miXto, em vez de miSto.
Deteram, em vez de detiveram.

Além desses, devem-se evitar gírias, estrangeirismos desnecessários e frases obscuras ou prolixas.