quinta-feira, 31 de janeiro de 2013

Loucuras de um sacerdócio



Andando na chuva com o olhar perdido,
Coração vazio e ansioso por uma relevância.
A cabeça cheia de questões deixa-o confundido
Com as regras que o aprisionam desde a infância.

Na rua vagando lutando contra o seu interior,
Na cabeça a mensagem: To be or no to be.
Atormenta-o o grito de seu corpo e com seu vigor,
As leis impostas na sua carne: I say for me i want  be.

As suas vontades são direcionadas para o sacerdócio,
Mas encontra  nele uma outra lei que o fez vê-la,
Linda e pura e culpada de tanta beleza a fixá-lo no ócio,
As pesquisas e os sermões ficaram presos nela.

Ela estava sempre ali, no primeiro banco com os olhos fitos;
Seus olhos azuis prestavam atenção em tudo que era ensinado,
Abria a boca em adoração com os lábios finos e carnudos, 
Não tinha a intenção de provocá-lo, mas deixava-o acorrentado.

Ela era uma corista e também cantava solo
Sua voz fazia-o entrar em transe e desesperado e admirado
Gritava para si em alta voz o louvor que era seu o consolo,
Ela ao cantar majestoso arrancava seu coração já escravizado.

Este amor proibido não vinha dos dogmas e sim de um solitário.
O amor que outrora cultiva com muito esforço perdeu as flores,
Depois sem semente foi morrendo lentamente em pleno pátio;
Ignorado pela rotina e deveres sociais e religiosos e seus interesses.

A linda jovem não sabia de seu domínio sobre o sacerdote,
Mas a confiança plena permitiu a tão sonhada aproximação.
Ali naquela sala, naquele final de tarde, entrou ela muito ofegante,
Então disparou o coração dele e a sua voz era só emoção.

Ela falava e falava, mas ele não ouvia; pois estava sem controle.
Quando ela desatou em lágrimas, seu amor ou paixão a consolou,
De forma tão intensa a abraçou que não pode esconder quem era ele.
Atordoada e confusa olhou para ele, sem palavras ele a fitou. 

A paixão nela foi descoberta naquela tarde e naquele abraço
Sem palavras os lábios se aproximaram e os corpos se entrelaçaram.
Amor, paixão, pecado, profanação o que será? Não acabava o abraço...
Foi a tarde e grande parte da noite ali mesmo os dois se amaram...

Agora vagando pela chuva, na rua deserta, busca a resposta certa.
Não há quem possa ajudar um sacerdote que resolveu amar;
Amar mais uma vez, sem desfazer o compromisso com a mulher que o espera.
Agora as leis, os dogmas, o clero e corpo de membros terão que o julgar.

Então pensou ele: "o certo é ser crucificado pelo pecado praticado,
Não como o Senhor Jesus que foi crucificado por todos os pecados."
Então tornou ele sem forças: " amo-a tanto que aceito ser julgado e ir para o inferno."
E assim, disse mais: "quero o meu sonho realizado, quero por ela viver escravizado."