quarta-feira, 28 de novembro de 2012

Veja o outro lado da Porta




A porta só pode dar passagem autorizada,
Para sua segurança tem que estar sempre trancada
Não importa se quem bate e se tem pressa,
Não interessa o que traz e se é uma grande promessa.

Quem bate a porta insiste e quer ser autorizado
A usufruir do conforto que pode ser dado.
Seja a minha atenção ou até roupar meu coração
Não se sabe o que quer e qual é a intenção.

Quem bate a porta pode parece ser alguém aflito,
Alguém que pede socorro e pela voz tem bom espírito.
Mas como saber os sentimentos por traz de uma porta?
Como expor sua vida por alguém que é uma incógnita?

Para não baterem a porta coloquei a caixa de correios.
Para não baterem a porta fiz uso de vários meios.
As cicatrizes da vida levaram-me a essas medidas de segurança;
A dor me doe de forma extrema e sem o esforço me alcança.

A minha porta antes era aberta e por ela entrava os amigos,
A minha porta não tinha fechadura e socorria mendigos,
A minha porta era acionada pela ordem de meu coração;
A minha porta era a entrada de festas e tinha muita emoção.

A família desprezou minha porta e não quis ver-me,
Os amigos não quiseram minhas festas e sim extorquir-me,
Meus irmãos de fé não quiseram mais orar em minha casa;
O que eu tinha agora era um cântico que revelava a tristeza.

Até as mulheres só queria tirar-me os recursos conquistados,
Das declarações de amor só sobraram visitas de advogados.
Os pobres que tinha socorrido levaram as mobílias valorosas;
Por fim as visitas de ladrões eram constantes e impiedosas.

A porta fechou e o amor esfriou por não ser regada,
Agora nasceu outra porta que não se abre por nada.
O tempo esfriou o amor conforme a profecia do Messias:
“Por aumentar a iniquidade o amor de muitos se esfriaria”

Aquela pessoa continua batendo a porta insistentemente...
Agora a curiosidade humana me impele a ver quem é o insistente.
Abro a porta lentamente... Com muito medo e com muito tremor...
Vejo uma pessoa resplandecente: era a esperança vestida de amor.