sábado, 29 de setembro de 2012

O Cargo hereditário vem de Deus ou do homem?




Em um bate-papo informal e sincero, pergunto a você se acha normal os cargos eclesiásticos serem passados de pai para filho, de filho para neto e assim por diante? Imagine se o Presidente da República tivesse o direito/poder de passar a presidência para seu próprio filho, o filho para o neto e assim por diante. Como você chamaria isso? Deixe-me adivinhar... Hum... Já sei! Você chamou de ditadura? Certa a resposta. E se o argumento for que só os filhos são capazes de governar o país em seu lugar? Você não iria querer saber o porquê dessa afirmativa?
Lá no início de tudo encontramos vários registros arqueológicos que confirmam uma cultura semelhante à apresentada, como vou falar mais do religioso fixarei a atenção nos livros de Gênesis a Josué onde encontraremos um sistema assim estabelecido: os patriarcas recebiam ordem de Deus para preparem sempre alguém de sua família. O nome desse sistema era herança de primogenitura, uma promessa de Deus  que abençoaria a família de Abrão e para tanto separou os levitas.
Você já leu o Pentateuco, os cincos primeiros livros da Bíblia?  Se leu então vai lembrar sobre a ordenança de Deus para a tribo de Levi, dizendo que o sacerdócio bem como o serviço dos levitas seria apenas exercido por eles e, quanto ao Sacerdote, a sucessão seria somente após a morte, ou obedecendo a ordem da escala dentro da família, e a do sumo-sacerdote pelo seu sucessor imediato que sempre era o filho primogênito. Essa linha de conduta surgiu após Moiséis tirar as doze tribos do êxito, tendo como sacerdote seu irmão Arão e seus filhos, os quais caíram em condenação diante de Deus por tocarem as coisas santas de forma impura; essas eram as regras para o poder Sacerdotal (entre outras não citadas).  Porém, com Moiséis (o patriarca) não foi assim, nem com Josué (seu discípulo), nem com os juízes (escolhidos pelo seu caráter, idoneidade, coragem e comunhão com Deus), Deus chamava-os para a obra de liderança estadista, tendo contatos com Deus como um profeta, sacerdote conforme regras pré-estabelecidas e guardadas em seu trono.
Nos livros de Crônicas I e II, Reis I e II, você vai encontrar uma normatização humana de sucessão dos Reis, passando a coroa de pai para filho e como é uma norma humana vemos na história várias quebras das referidas leis repletas de sangue inocente. Entretanto, você não encontra nos textos bíblicos a aprovação de Deus da escolha do povo  e sim triste por ter sido rejeitado como Rei deles, nem fechando os olhos para os atos dos  Reis, que foram escolhidos. Entre esses Reis somente Davi um homem segundo o coração do Todo Poderoso,  esse o agradou, o famoso Rei Davi.
Entretanto, o envolvimento com a cúpula social, as ostentações da realeza e embriagado com o poder, não mais acompanhou seus soldados nas guerras  contra os inimigos como era de costume, ficou ocioso, carnal, vaidoso e a concupiscência o fez pecar contra um de seus melhores comandados. Vendo-a do seu palácio, pelas alturas, não tendo telhas os banheiros, viu a esposa de Urias tomando banho e diante de tão linda silhueta ficou hipnotizado, dominado pelo desejo descontrolado que tomou sua mente e seu corpo. Tendo poder supremo determinou a seus serviçais que a trouxesse à sua câmara e a conheceu nos termos mais íntimos do relacionamento humano.
A prática do pecado trouxe ao Rei Davi muitos males, porém Deus enviou um profeta que o alertou de seu pecado e ouvindo se arrependeu de seus atos; e teve misericórdia o Senhor dos Senhores mantendo o seu  reinado até a sua velhice e continuou a sua promessa na vida de seu filho Salomão, um projeto do mistério do altíssimo. O filho do exterminador de Golias recebe um governo de paz, encontra uma seqüência de imposição humana, uns felizes e outras tristes, uns servindo verdadeiramente ao Dono de Toda Glória e uns apostatando da fé. Porém com sabedoria resolve todos os problemas e constrói o Templo mais comentado na história humana. Seguindo a ordem hereditária assume o reino seu filho Roboão um homem insensato e por preferir os conselhos de seus amigos de farra desagradou ao povo e dividiu o Reino em dois, ao sul Judá (duas tribos) e ao norte Israel (dez tribos). Continuou os mesmo sistemas, porém com muito sangue e fratricídios e parricídios em busca da coroa.
No Novo testamento, que você também leu, não vai encontrar a Igreja primitiva praticando o ato de consagrar preferencialmente a filhos ou a parentes, existia transparência e eleição, após constante jejum e oração da Igreja. Veja a primeira lição: em Atos dos Apóstolos os primeiros diáconos foram escolhidos pela Igreja, nas condições de casados com uma só mulher, conhecedores da Bíblía e cheio do Espírito Santo.  Neste livro encontra-se consagração realizada pelo corpo de obreiros e junta pastoral ou convenção geral, para solução de problemas doutrinários. Porém não se encontra os líderes pedirem certificados de conclusão de teologia ou qualquer outro curso. Não menciona, por acaso, proibição para divorciados (lembrando que primeiramente por serem doutrinados que adultério é punido com morte, para ambos adúlteros, e os que tiveram problemas com a infidelidade ou  a suspeita da mesma por conduta irregular de um dos cônjuges,  poderiam sim se divorciar, mas ficando o praticante do pecado amaldiçoado e isso não mudou a até hoje ou poderia existir algum sumo sacerdote, nos dias de hoje, capaz de preparar uma mistura química reveladora dos segredos do pecado oculto, para tirar a dor do cônjuge traído)?
O Novo Testamento todo, fala de homem fiel, marido de uma só mulher, que saiba governar sua casa, cheio do Espírito santo e que manuseie bem as Escrituras. Ora, quando fala marido de uma só mulher, está falando do homem que só tem relacionamento com uma mulher, ação e efeito de coabitar, copular, ter um só corpo com a mesma; não há espaço para entender outra mensagem. A não ser que queiram criar embaraço proposital, a fim de impedir alguém, que não tenha o perfil escolhido pelo grupo “elite”; você entende?
De onde tiraram que o filho ou filha de um pastor tem que ser pastor? A vocação pastoral não é hereditária, nem a salvação, caso contrário onde ficaria o livre arbítrio? Se você já leu a Bíblia de Gênesis a Apocalipse, pelo menos uma vez, com muita atenção e em espírito, vai ver que não tem como, nem de onde, tirar essa doutrina. Não passa de tentativa de formar cabide de emprego ou tornar as entradas de dízimos e ofertas e aquisições em decorrência disto patrimônio próprio, para o pastor e sua família, seria transferência de bens de pai para filho. Talvez seja essa a razão de ensinarem que fora da igreja o filho possa vir a  se desviar do evangelho? Jesus Cristo ensinou que o nosso lugar é estar no mundo, mas não pertencer o mundo. Será que os nossos lideres tem medo do que vão pensar dele, ao ver que o seu filho tem vocação para ser um ótimo militar, ou excelente comerciante? Será que tem medo de alguma conspiração, por parte do corpo ministerial ou convenção? Ou será que é apenas por ambição, envolvendo a boa vida e  o patrimônio da Igreja dando-lhe status de autoridade dentro da sociedade?
Tenho observado que os homens e mulheres que buscam cumprir Atos dos Apóstolos e vivem cheios do Espírito Santo, trabalhando sem pedir nada em troca,  são consagrados no máximo até presbítero, ou criam um novo cargo eclesiástico – Evangelista – ou o colocam em uma igrejinha no pé do morro  e ali ficam até Jesus voltar? Com as mulheres fazem pior.
Qual o critério em que alguns são consagrados a Pastor, Pastor-Evangelista e  Missionário, mas não ganham poder de decisão no Templo Central e muito menos nos Conselhos Regionais e Federais e na maioria das vezes não ganham salário, tendo ainda que pagar para ter a credencial nos modelos da OAB? Por que existem reuniões escondidas, feitas apenas para um pequeno grupo? Por que o voto de aceitação de qualquer ato do “ministério” é sempre constrangedor? Você já conseguiu manifestar sua opinião contrária? Se por acaso conseguiu, qual foi o resultado? Com certeza não foi nada bom e lembrar traz tristeza e angustia.
Bom, como já sei qual foi a sua resposta, salvo pouquíssimas exceções, resumo dizendo: que a liderança da Igreja não é hereditária e nem é posse de homem algum, mas sim o Senhor Jesus Cristo, que derramou o sangue na cruz do calvário, foi Ele quem resgatou a nossa vida, tirando de um lamaçal de pecados, é o único líder e o único dono da Igreja. Só Ele pode dizer quem vai ser diácono, presbítero, pastor, evangelista ou missionário. Quanto a hereditariedade, esta só pode acontecer se for a vontade do Senhor Jesus escolher dando ao filho daquele pastor a vocação, unção para o ofício sacro-santo, e isso fará nos termos “Dele”, com poder e muitas revelações, de tal forma que não haja dúvida. Deus não é Deus de confusão.
Em Lamentações de Jeremias, no capitulo 3, versículo 29, temos uma mensagem para essa sociedade, que diz: Ponha sua boca no pó